O presidente Lula (PT) defendeu nesta sexta-feira (04/09) uma nova discussão sobre uma reforma do Poder Judiciário a partir de 2027. Durante cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, Lula afirmou que pretende promover uma “discussão profunda” sobre mudanças no sistema de Justiça para preservar a confiança da população nas instituições.
Na mesma ocasião, o presidente cobrou de Fachin e Gonet uma resposta institucional para a crise que envolve integrantes do STF. Lula afirmou ter conversado com os dois sobre a expectativa da sociedade e disse que cabe às instituições oferecer respostas e garantir transparência na condução dos fatos.
“Está nas suas costas e nas costas do Paulo Gonet a responsabilidade de passar o mínimo de tranquilidade, sem tentar esconder absolutamente nada”, afirmou. Ao relatar a conversa com Fachin, acrescentou: “Quando os filhos dentro de casa estão em desordem, quem manda na casa é que resolve”.

Lula também criticou os chamados “vazamentos seletivos” de informações de investigações. Segundo o presidente, esse tipo de divulgação pode atender a interesses políticos e econômicos e comprometer a credibilidade da Justiça. “Se a gente não der uma parada nisso vamos perder a credibilidade que nós queremos que a sociedade tenha na Justiça”, disse. Ele ainda criticou o que classificou como uma “indústria de fake news e vazamentos seletivos por interesses políticos e econômicos”.
Contexto
As declarações ocorrem em meio à tensão entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, que ganhou novos contornos após a divulgação de informações relacionadas ao caso Banco Master e de um relatório da Polícia Federal que menciona autoridades do Judiciário. Fachin determinou que Moraes, Mendonça, Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestassem informações sobre pontos relacionados ao caso.
Sem citar diretamente nenhum ministro, Lula também afirmou que autoridades não podem utilizar os cargos públicos em benefício próprio. “Ninguém, ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal”, declarou.
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