Tenho enfrentado dias difíceis durante a pandemia, especialmente no que tange à minha enorme resistência em aceitar que coloquem o trabalho e a saúde em lados opostos. Os dois conceitos, na verdade, andam lado a lado, pois buscam a sobrevivência do indivíduo em todos os aspectos fundamentais da vida humana, quais sejam, a saúde, a dignidade, o conforto e a assistência. Lamentavelmente, hoje em dia, há uma busca enorme em demonstrar que as movimentações cotidianas são as causadoras de todos os resultados negativos da pandemia; como se fosse possível sobrevivermos em total isolamento. Pior do que isso, se imagina que é possível ficar em casa, indefinidamente, sem que haja o giro da economia para sustentar a população e o país.
Não deveríamos ter que caminhar neste dilema! Não há uma escolha certa a se fazer, porque nunca houve, sequer, uma dúvida acerca disso. Para manter uma boa qualidade de vida, é preciso dormir e comer bem, assim como é necessário o exercício físico, o diálogo com um amigo e a quebra da monotonia para não entrarmos em um loop infinito. É perigoso abandonar esses aspectos tão essenciais para a nossa existência. Isso porque nós somos conhecidos, por natureza própria, como seres sociáveis. Restringir nosso extinto mais interno e sublime é, sem dúvidas, adoecer o corpo, a mente e a alma.
Muitos veem a atual situação da Covid-19 como um duelo, às vezes, quase como um sacrifício. Esse falso dilema – Saúde x Economia – tem comprometido seriamente a nossa saúde em todos os seus aspectos – não apenas o físico.
Claro, o coronavírus é uma doença que, até então, está fora do nosso controle. Não o conhecemos muito bem. Mas, apesar de toda catástrofe que a pandemia nos trouxe, devemos ser capazes de erguer a cabeça para voltar a caminhar. E isso exige um passo curto de cada vez. Por agora, tenhamos consciência da importância de cada lado que comporta a essência humana. Precisamos do trabalho; da conversa; do ar puro invadindo os pulmões; da presença familiar.
Cuidemos da nossa saúde, sim! Tenhamos o comprometimento individual e coletivo de que precisamos usar máscaras e que devemos lavar mais as mãos, assim como utilizar, frequentemente, o álcool gel. Mas que sejamos conscientes, da mesma forma, para compreender o quanto estamos arriscando a saúde mental de milhões de brasileiros e brasileiras.
A vida não parou. O sol continua nascendo e se pondo todos os dias. As chuvas ainda invadem os solos para alimentar a terra. Os passarinhos ainda cantam, o mar ainda flui. Não são tempos fáceis. Muito pelo contrário, aliás. Há mortes, medos, receios, dores e dificuldades. Mas o que não podemos permitir, em hipótese alguma, é que o lado negativo se expanda ainda mais. Só conseguiremos sair dessa situação triste e atípica se colocarmos o nosso coração e as nossas mentes em seus devidos lugares. Somos fortes e capazes de vencer qualquer coisa!
É hora de respirar fundo e agradecer por termos, diariamente, a chance de recomeçar. Agora, após a retomada de diversos segmentos comerciais, estamos nos adaptando a uma nova vida. É uma oportunidade que não podemos desperdiçar! Não teremos apenas dias de alegria, vitórias e comemorações, mas, repito: é preciso dar um passo curto de cada vez. Aguardamos, ansiosamente, uma vacina para normalizar o mundo nos parâmetros do que já conhecíamos, mas, enquanto ela não chega, mantenhamos as cortinas abertas para o horizonte. Devemos lembrar que o apoio mútuo também é fundamental nesse momento tão crítico. Sejamos fortes e resilientes. Dias melhores virão.
Diretora executiva da Pinheiro Ferragens, CEO do Grupo Pinheiro de Brito, fundadora do Grupo Empresários em Ação e escritora*


