
O início da noite deste domingo (27) foi marcado por mais uma manifestação por justiça no caso Isabelle Caracristi, em Fortaleza. Mães e mulheres se reuniram no Espigão da Avenida Rui Barbosa, na Praia de Iracema, com cartazes e rosas nas mãos. Vestidas de branco, as participantes fizeram um ato pacífico e cobraram o aprofundamento das investigações sobre a morte da estudante.
A mobilização foi organizada pelo movimento “Pela Vida das Mulheres”. As manifestantes defenderam que as autoridades apresentem esclarecimentos sobre o que aconteceu com Isabelle no dia 13 de setembro e reforçaram a cobrança por respostas durante o andamento da investigação.
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Idealizadora do movimento, Nelise Diógenes afirmou, em entrevista exclusiva à ANC, que os atos devem continuar enquanto o caso não tiver todos os esclarecimentos esperados pelas manifestantes.
“Esse ato é justamente porque nós queremos, né, já houve algumas respostas, algumas investigações, falas de Polícia Civil, entre outras autoridades competentes no caso, mas nós queremos mais esclarecimentos sobre o que houve realmente de fato naquele 13 de setembro”, afirmou.
Nelise também disse à ANC que o grupo pretende manter as mobilizações como forma de cobrar respostas das autoridades.
“A gente não vai se calar enquanto não houver nenhuma resposta, porque a gente quer realmente dar um basta contra o feminicídio, contra as violências contra as mulheres, e é isso que a gente busca: resposta”, declarou.
Manifestantes cobram esclarecimentos sobre a morte
Também idealizadora do movimento “Pela Vida das Mulheres”, Lilian Melo ressaltou, em declaração exclusiva à ANC, a necessidade de que a investigação esclareça as circunstâncias que levaram à morte de Isabelle. Para ela, as manifestações também são uma forma de evitar que a responsabilidade pelo ocorrido seja atribuída à própria vítima.
“A gente não vai aceitar que coloque a culpa na mulher, como sempre. Mesmo a mulher estando certa, por algum momento as pessoas tendem a voltar a culpa para a mulher e essa culpa a gente não vai aceitar”, afirmou Lilian à ANC.
A manifestante defendeu que as autoridades apresentem esclarecimentos sobre a dinâmica da morte e sobre eventuais situações de violência psicológica.
“A gente quer que a verdade venha à tona e que os culpados sejam punidos. É isso que a gente espera que a sociedade, unida aqui, todos nós nesse espírito, a gente quer isso”, disse.
Em entrevista à ANC, Lilian também cobrou detalhes sobre as circunstâncias que antecederam a morte de Isabelle.
“Existe uma questão de abuso psicológico. Então, se ela foi, se ela se jogou, se aconteceu alguma coisa, se estão induzindo ao suicídio, a gente quer que isso seja explicado nos mínimos detalhes”, declarou.
Segundo as organizadoras, uma nova manifestação está prevista para os próximos dias em frente à 2ª Delegacia de Polícia Civil de Fortaleza, onde parte das diligências relacionadas ao caso vem sendo realizada.
Como andam as investigações?
A investigação sobre a morte de Isabelle Caracristi avançou nos últimos dias. A estudante, de 22 anos, morreu em 13 de setembro após cair do 23º andar do condomínio onde morava, na Aldeota, em Fortaleza.
No dia 22 de setembro, João Munhoz Neto, namorado de Isabelle, foi preso preventivamente pela Polícia Civil. No dia seguinte, a corporação informou que ele é investigado por suspeita de violência psicológica e de indução, instigação ou auxílio ao suicídio. O caso permanece sob sigilo judicial.
A Perícia Forense do Ceará (Pefoce) informou, em coletiva realizada no dia 23, que os exames apontaram uma “precipitação voluntária” do rooftop do edifício. Segundo o perito-geral Júlio Torres, imagens de câmeras do condomínio corroboram a dinâmica identificada pela perícia. O rooftop, porém, não possuía câmera de segurança.
A Polícia Civil também continua ouvindo testemunhas e analisando elementos relacionados ao caso. No dia 24, sete pessoas prestaram depoimento na 2ª Delegacia de Polícia Civil, entre elas familiares de João, uma amiga de infância de Isabelle e pessoas que estavam na área da piscina do condomínio no momento da queda.
Mesmo com os primeiros resultados da perícia apontando a dinâmica da queda, a investigação segue para esclarecer as circunstâncias que antecederam a morte de Isabelle e os elementos relacionados à conduta de João Munhoz.
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