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A retomada no turismo no Ceará

O turismo foi um dos segmentos da economia mais afetados pelo avanço da pandemia iniciada, grosso modo, em março de 2020.  A queda chegou a quase 50%. A cada ano, o País recebia, em média, 6,6 milhões de turistas. Entre 2019 e 2020, os gastos de turistas de fora caíram de US$ 5,99 bilhões para US$ 3,04 bilhões. No total, as perdas do setor somaram entre março de 2020 e janeiro de 2021 um total de US$ 243 bilhões. A ocupação dos hotéis também refletiu os impactos da pandemia, caindo 37,5% entre 2019 e 2020.

O número de viagens dentro do País caiu 41% entre 2019 e 2021. O índice de viagens internacionais caiu de 3,8% em 2019 para 0,7% em 2021. Em 2019, os brasileiros fizeram 20,9 milhões de viagens; em 2020 foram feitas
13,6 milhões, já em 2021, a queda foi acentuada: 12,3 milhões.

No Ceará, o impacto negativo não foi diferente. Segundo dados de um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em 2021, o impacto das atividades turísticas, retraíram 40,9% em 2020.

Para Erla Delanne Napravnik, CEO Executiva do Hotel Santuário das Águias, o início da pandemia foi um pesadelo.
O impacto direto foi sentido na taxa de ocupação, que caiu para níveis nunca dantes vistos, inferior a 30%” Delanne Napravnik A executiva critica a posição do governo estadual, que ampliou a dificuldade do setor com a política de lockdown. “A receita de hospedagem caiu drasticamente, e a de eventos foi a zero.

Hotel Santuário das Águias – Porto das Dunas, Aquiraz.

O que sobrou foi alimentos, bebidas. O restaurante do Mirante do Hotel Santuário foi o único que resistiu porque foi transformado em delivery, e assim conseguimos manter a melhor parte da equipe”, detalha Delanne.

Sem muitas opções, Delanne precisou fazer corte no pessoal, e precisou investir em comunicação para atrair novos clientes. “Ainda hoje, mesmo depois de mais de um ano muito complicado, o nosso desafio continua tornar o hotel mais conhecido em Fortaleza como SPA Urbano, onde o  cliente pode cuidar do corpo e também da
mente”, anima-se.

A executiva explica que investiu em energia solar para cortar despesas e buscava a cada dia novas formas de receitas. “Pensávamos novas formas de serviços no hotel de acordo com os abrandamentos dos decretos”, afirma. Embora as atividades dos hotéis não tenham sido suspensas pelo Estado durante o lockdown, muitos empreendimentos fecharam por conta da baixa procura no período.

 

Para a empresária do setor hoteleiro, Ivana Bezerra, do Hotel Sonata de Iracema, em janeiro de 2021, o quadro de funcionários foi bastante reduzido. A gente foi levando até que as coisas começaram a melhorar, a partir de setembro, e encontrar um nível de equilíbrio”, destaca Ivana Bezerra. Já em janeiro de 2022, Ivana destacou que
o ano teve um início animador, mas antes do fim do mês, surgiu uma nova onda da Covid-19, e o movimento despencou.

Novamente, de acordo com a avaliação da empresária. “Só em março notamos uma pequena recuperação. Maio e junho foram dois meses bons”, detalhou.

A empresária prevê um julho mais animador. “Julho está reagindo bem, estamos bem otimistas, apesar do
aumento das passagens aéreas por conta do querosene”, salienta.

Delanne Napravnik, do Santuário das Águias: esse ano está difícil porque os preços das passagens aéreas estão muito caras e o fluxo de voos internacionais não voltaram aos patamares anteriores à pandemia

O segundo semestre do ano é, normalmente, melhor do que o primeiro, e esse movimento deixa a empresária mais
animada. “Temos muitos eventos previstos para os meses de setembro a novembro, e a expectativa é, de fato, de um segundo semestre bom”, alegra-se.

Ivana, no entanto, espera um maior apoio dos governos. “Os governos municipal, estadual e federal poderiam pensar mais no setor. A gente sabe o que o turismo traz de benefício, e parece que isso não é lembrado”, critica. “A gente vê a quantidade de incentivo que o governo concede para a indústria, a exemplo de incentivo fiscal, mas para o turismo, a gente não tem isso, e quando tem é irrisório”

A executiva do do Hotel Santuário das Águias, Delanne, também acredita que o
apoio dos governos é insuficiente. “O que se espera dos governos municipais e estaduais é uma maior divulgação das potencialidades turísticas. Além  de divulgar melhor, o setor público precisa oferecer infraestrutura, como o transporte público, que é insuficiente, e
o trabalhador da rede hoteleleira não tem como voltar para casa a noite”, critica
Delanne.

Delanne também sente falta de parceria técnica promovida pelo setor público do município de Aquiraz. “Precisa qualificar a mão de obra voltada para a hotelaria,  como garçons, chefes, arrumadeiras, recepcionistas, e outros”, sentencia.

Em uma nova pesquisa do IBGE, divulgada neste início de julho, das 12,3 milhões de viagens computadas no ano passado, 4,2% tinham como destino o Ceará. O estado passa a ser o oitavo destino mais procurado durante o período da pandemia. De acordo com a pesquisa, São Paulo recebeu 20,6% das viagens feitas no País durante o ano passado.

Ivana Bezerra, do Sonata de Iracema, está otimista com o 2º semestre de 2022: Temos muitos eventos previstos para os meses de setembro a novembro, e a expectativa é boa

Na sequência, vem Minas Gerais (11,4%), seguida da Bahia (9,5%). O Rio de Janeiro aparece apenas em quarto lugar (6,6%). O Ceará configura como o segundo lugar no Nordeste a receber maisviajantes. Já pela pesquisa divulgada pela plataforma de reserva de hotéis, Booking com, a Capital cearense figura entre os dez destinos mais procurados por quem pretende viajar entre julho e agosto.

Outro estudo, revelado pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo, é ainda mais animador: Fortaleza é o
segundo destino mais procurado pelos brasileiros. A Capital do Ceará perde apenas para Salvador, tido como o
principal destino nacional. Quem comemora o resultado é o secretário de Turismo de Fortaleza, Alexandre Pereira. Para ele, os números mostram a recuperação do setor. “Os dados são comparados com o período prépandemia”, destacou. De acordo com o mesmo estudo, 70% das operadoras de turismo no Brasil superaram, no primeiro trimestre de 2022, o faturamento de 2021 inteiro. O levantamento mostra que 86% das viagens compradas por turistas, no primeiro trimestre, foram para destinos nacionais, enquanto o exterior ficou com os outros 14%.

 

 

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