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A vez do PSD?

Domingos Filho com a esposa e prefeita de Tauá, Patricia Aguiar.

A confirmação da candidatura de Cid Gomes (PSB) ao Senado resolveu uma das principais pendências da chapa governista para 2026. Agora, o principal foco das articulações passa a ser a segunda vaga ao Senado, disputada nos bastidores por nomes como Luizianne Lins (Rede) e Eunício Oliveira (MDB). Enquanto esse debate domina o noticiário político, outra definição parece caminhar de forma mais silenciosa: a escolha do vice-governador.

Sem o mesmo nível de disputa, o presidente estadual do PSD, Domingos Filho, desponta como principal favorito para ocupar a vaga hoje pertencente a Jade Romero. Mais do que uma escolha de composição, seu nome representa uma mudança importante no equilíbrio de forças da política cearense.

Em 2022, a vaga de vice ficou com o MDB, que indicou Jade Romero. Uma explicação para isso pode estar no próprio contexto daquela eleição. À época, Domingos Filho disputava a vice-governadoria na chapa de Roberto Cláudio, o que naturalmente colocava o PSD no campo adversário e fora das negociações da aliança governista. Quatro anos depois, o cenário é completamente diferente.

Domingos Filho, que já foi tema desta coluna por sua trajetória política e capacidade de articulação, consolida-se como uma das principais lideranças do interior do Estado. Para quem quiser conhecer melhor sua história e entender como construiu esse protagonismo, basta acessar a coluna publicada anteriormente.

Nos últimos anos, o PSD deixou de ser um partido coadjuvante para se transformar na terceira maior força política do Ceará. A legenda reúne 17 prefeitos, cerca de 230 vereadores, três deputados estaduais e cinco deputados federais. Um crescimento construído sob a liderança de Domingos Filho, ex-presidente da Assembleia Legislativa, ex-vice-governador e um dos principais articuladores políticos do Estado. Se a vaga realmente ficar com o PSD, será também um reconhecimento ao peso político conquistado pela legenda.

Há alguns anos, esse espaço seria ocupado naturalmente pelo MDB.

Foi pela legenda que Tasso Jereissati chegou ao Governo do Estado em 1986, antes de migrar para o PSDB. Décadas depois, sob a liderança de Eunício Oliveira, o MDB viveu seu auge. Presidiu o Senado, teve forte representação no Congresso Nacional e tornou-se peça indispensável nas grandes alianças políticas do Ceará.

A derrota de Eunício na eleição para o Senado, em 2018, marcou o início de um novo ciclo. O MDB perdeu capilaridade, reduziu sua presença no interior e deixou de exercer o protagonismo que teve por décadas. Hoje, administra nove prefeituras, conta com cerca de 120 vereadores, um deputado estadual e um deputado federal.

Enquanto o MDB diminuía, o PSD ocupava esse espaço.

A ausência de Eunício das articulações, por causa do tratamento de saúde, também influencia esse cenário. Sem seu principal líder à frente das negociações, o MDB perde força justamente quando a segunda vaga ao Senado se transforma no principal ponto de debate dentro da base governista.

É nesse contexto que Luizianne Lins ganha espaço. A deputada federal desponta como um dos nomes mais competitivos para compor a chapa ao Senado e pode ser beneficiada pelo momento vivido pelo MDB.

No fim das contas, a provável escolha de Domingos Filho para a vice não representa a principal disputa da chapa. Ela representa algo maior: a mudança de protagonismo na política cearense. Enquanto os holofotes estão voltados para a segunda vaga ao Senado, a definição da vice revela, de forma discreta, que o PSD assumiu o espaço que durante anos pertenceu ao MDB. Essa talvez seja uma das mensagens políticas mais importantes da montagem da chapa governista para 2026.

 

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