As chuvas registradas em diferentes regiões do Ceará garantiram a abril de 2026 o terceiro melhor desempenho em recarga hídrica dos últimos dez anos. Dados das resenhas diárias da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) apontam que os reservatórios receberam, ao longo do mês, 2,90 bilhões de metros cúbicos de água.
O volume só fica atrás dos aportes observados em abril de 2024, quando foram contabilizados 5,27 bilhões de m³, e de 2023, com 3,25 bilhões de m³, conforme levantamento com base na série histórica desde 2017. O resultado supera anos considerados positivos, como 2020 (1,92 bilhão de m³) e 2022 (1,71 bilhão de m³), além de ficar bem acima de períodos mais secos, como 2017 (0,4 bilhão de m³) e 2021 (0,44 bilhão de m³).
O desempenho reflete a atuação mais consistente das chuvas durante o mês, penúltimo mês da quadra chuvosa no Estado, influenciada diretamente pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Apesar do resultado, o acumulado entre janeiro e abril apresenta leve queda em relação ao ano anterior.

Em 2026, o aporte total chegou a 4,82 bilhões de metros cúbicos, abaixo dos 4,96 bilhões de m³ registrados no mesmo período de 2025. A diferença, embora pequena, indica uma distribuição mais irregular das chuvas no início da quadra chuvosa deste ano.
Armazenamento
Mesmo com essa variação, o Ceará mantém um cenário considerado relativamente confortável em termos de armazenamento. Em 30 de abril de 2026, o volume médio dos 144 açudes monitorados atingiu 50,24% da capacidade total. No mesmo período do ano passado, o índice era superior, chegando a 55,63%.
Na comparação anual, houve redução no número de reservatórios sangrando, que passou de 49 para 33. Também foi registrada leve queda na quantidade de açudes com mais de 90% da capacidade, de 14 para 13. Por outro lado, aumentou o número de reservatórios em situação crítica, com volume inferior a 30%, passando de 23 para 27.
O quadro geral indica uma recuperação hídrica em curso, ainda que menos intensa do que a observada em 2025. A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) já havia apontado, no início do ano, um cenário de incerteza quanto à regularidade das chuvas. Os prognósticos divulgados em janeiro e fevereiro indicavam 40% de probabilidade de precipitações dentro da média, 40% abaixo da média e apenas 20% acima do esperado.
Desigualdade regional
Apesar do volume médio acima de 50%, a distribuição da água permanece desigual entre as bacias hidrográficas. Algumas regiões apresentam situação confortável, enquanto outras ainda enfrentam níveis críticos.
Os melhores cenários estão nas bacias do Litoral (95,76%), Alto Jaguaribe (95,82%) e Coreaú (94,73%), onde há maior segurança hídrica e presença de reservatórios sangrando ou próximos disso. Em seguida, aparecem regiões com níveis intermediários, como Acaraú (83,83%), Serra da Ibiapaba (77,18%) e Salgado (68,61%).
Já o Curu (57,67%) e a bacia Metropolitana (52,19%) mantêm níveis acima da metade da capacidade, indicando relativa estabilidade. Por outro lado, o Médio Jaguaribe (29,05%) e o Banabuiú (30,23%) concentram pontos de atenção. A situação mais crítica é registrada nos Sertões de Crateús, com apenas 21,53% da capacidade, afetando municípios como Quiterianópolis, Independência e Novo Oriente.
Acompanhe mais notícias da Rede ANC através do Instagram, Spotify ou da Rádio ANC.

