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Após adolescente usar as redes sociais para denunciar pai por violências, órgãos públicos se manifestam

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Foto: Reprodução

Uma adolescente de 16 anos do município de Tianguá, na Serra da Ibiapaba, usou as redes sociais no último sábado (16), para denunciar possíveis negligências de órgãos públicos em uma investigação de supostos abusos que teriam sido cometidos pelo próprio pai contra ela e a mãe dela. A adolescente possui mais de 300 mil seguidores e o vídeo ganhou repercussão não só no estado do Ceará mas em todo o Brasil, diversas pessoas demonstraram apoio e sensibilidade diante da situação relatada.

No início do relato, ela diz temer ser afastada da mãe após a realização de denúncias que segundo ela, são falsas. Ainda de acordo com a adolescente, o pai teria acionado à justiça com a acusação de que mãe estaria cometendo maus-tratos e cárcere privado contra a filha. Sem dizer nenhum detalhe do processo, a vítima afirmou que o caso passou a ter envolvimento do Ministério Público do Ceará (MPCE) e do Conselho Tutelar da cidade de Tianguá.

Durante a publicação, a vítima relata diversos episódios traumáticos que teria sofrido, segundo a adolescente, em um momento da gravação ela relata que os órgãos públicos não estariam acreditando em versões depoimentos apresentados por ela e a mãe dela; “E o que mais me revolta é que os órgãos públicos não acreditam na minha palavra e na da minha mãe”, disse.

A vítima também afirma que ela e a mãe teriam sofrido episódios de violência doméstica, “eu cresci vendo meu pai maltratar a minha mãe”, disse. Também durante a gravação, a vítima afirmou ter várias consequências psicológicas que seriam referentes ao ambiente familiar “Eu tenho crises de pânico, eu não consigo sair de casa”, afirmou.

A adolescente também afirma que o pai teria descumprido mandado de medida protetiva que existem contra ele e que ele estaria frequentando lugares próximos, mesmo utilizando tornozeleira eletrônica, “e mesmo com tornozeleira eletrônica, ele continua passando aqui na frente”. Relatou.

A jovem também falou sobre a atuação dos órgãos públicos diante do caso, ela disse que não é ouvida pelas instituições que acompanham a situação, “Eu fui ouvida uma vez, e nessa vez, ainda banalizaram o que eu passei, banalizaram os abusos, banalizaram tudo que ele fez. Agiram como se eu estivesse mentindo, agiram como se eu estivesse inventando aquilo tudo”, disse ela em relação à uma escuta oficial que foi realizada em um momento anterior.

Em nota, o Conselho Tutelar de Tianguá informou que não faz divulgações sobre informações sigilosas sobre casos; “O Conselho Tutelar repudia veementemente quaisquer acusações infundadas que atentem contra a honra, a credibilidade e a seriedade do trabalho desenvolvido por este órgão, destacando que jamais compactuou, favoreceu ou divulgou informações sigilosas relacionadas aos casos acompanhados”. Diz o comunicado.

O órgão ainda disse que o caso segue sendo acompanhado por várias instituições de proteção “Ressaltamos, ainda, que o referido caso tramita em segredo de justiça, sendo acompanhado de forma rigorosa por diversos órgãos de proteção à criança e ao adolescente, dentre eles o Ministério Público, o Poder Judiciário, a Defensoria Pública, advogados constituídos e demais instituições vinculadas ao Estado do Ceará”, afirmou.

O Ministério Público do Ceará (MPCE), informou que instaurou um procedimento administrativo para acompanhar a situação da adolescente em articulação com a rede de assistência social e de saúde de Tianguá. O MP também informou que a vítima passou por uma escuta especializada, que estabelece o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência, com o intuito de assegurar a proteção, a segurança e o acolhimento à vítima.

O órgão também informou que as medidas protetivas de urgência permanecem em vigor, com a proibição de aproximação do genitor. O caso segue em sigilo para preservação da vítima e continua em andamento para que as providências cabíveis continuem sendo tomadas.

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