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Após transferências, detentos realizam motim em CPPLs

Pelo menos dois motins foram registrados nas penitenciárias de grande porte da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), depois que as transferências foram iniciadas. De acordo com a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus) houve levante dos detentos na Unidade Prisional Agente Luciano Andrade Lima, antiga CPPL I; e na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Clodoaldo Pinto (CPPL II). A Instituição informou que os tumultos foram controlados.

O coronel Lauro Carlos de Araújo Prado, secretário adjunto da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), disse que até o momento não há indicativo que as transferências podem ter consequências direcionadas para a parte externa dos presídios. Ele disse que a Pasta está dando apoio à Sejus, inclusive com informações de Inteligência. “O BPChoque também está com uma atenção especial voltada para os presídios, para intervir se for preciso”, afirmou.

Uma operação foi montada para que as transferências ocorram sem danos. No entanto, o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Ceará (Sindasp – CE), Valdomiro Barbosa, disse que a preocupação é como ficará o Sistema depois que a operação for desfeita e os presos continuarem insatisfeitos com as transferências.

“A situação é a pior possível. Temos uma crise horrível e cerca de dez agentes, por dia, para custodiar 1.800 presos em cada penitenciária. Cada unidade tem três carabinas com três munições não-letais. O que um agente pode fazer com nove disparos de borracha, diante de 1.800 criminosos rebelados? A única opção é atirar para cima e correr”.

Segundo Barbosa, muitos agentes estão ameaçados de morte. As unidades estão sucateadas e tomadas pelo crime organizado. Infelizmente não há controle nenhum do Estado. Os detentos quebram uma Penitenciária em poucos instantes e nós não temos como fazer nada”.

Valdomiro Barbosa disse que as facções tomaram o controle das unidades prisionais. “O Sistema Penitenciário está falido. O que vemos é um colapso avançando. Os detentos fizeram o Governo recuar de bloquear o sinal dos celulares, já ameaçaram os deputados com uma carro-bomba na Assembleia, o que falta acontecer para acabarem esse caos? As facções ocuparam o lugar que era para ser do Estado e mandam nas penitenciárias. Não era nem para haver facção em presídio, quanto mais dando ordens”, considerou.

D.N.

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