Celebrado neste mês, o Dia do Uso Racional de Medicamentos chama a atenção para a importância do consumo seguro e consciente de remédios. Instituída pela Organização Mundial da Saúde, a data reforça uma definição adotada pela entidade em 1985, segundo a qual os pacientes devem receber medicamentos adequados às suas necessidades clínicas, em doses corretas, pelo período necessário e com o menor custo possível para si e para a sociedade.
Apesar da recomendação, a automedicação continua sendo uma prática frequente, impulsionada, entre outros fatores, pela facilidade de acesso a informações e indicações de tratamentos na internet. Diante de sintomas ou desconfortos, muitas pessoas recorrem a medicamentos já utilizados anteriormente, sem buscar orientação profissional.

De acordo com Rachel Freitas, gerente da Assistência Farmacêutica da Atenção Primária à Saúde (APS), do Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), responsável pela gestão compartilhada dos postos de saúde de Fortaleza, esse comportamento pode trazer consequências graves.
“Nessa tentativa de solucionar um possível incômodo, essa automedicação pode causar desde intoxicação medicamentosa até piora dos sintomas que já foram manifestados. Sem uma prescrição médica, você pode acabar ingerindo medicamentos para a finalidade e quantidade inadequada, o que resulta em uma combinação muito perigosa”, explica.
Riscos
Cada medicamento, ressalta a especialista, exige orientações específicas quanto à dose, frequência e horário de administração. Quando essas recomendações não são seguidas corretamente, aumentam os riscos de efeitos adversos, alergias e complicações em doenças já existentes.
Entre as manifestações alérgicas mais comuns estão coceira, vermelhidão na pele e inchaço. Em situações mais graves, o paciente pode apresentar dificuldade para respirar em decorrência do fechamento da garganta.
A intoxicação medicamentosa também figura entre os problemas mais recorrentes e, em geral, está associada à ingestão de doses acima do recomendado. Analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios estão entre os medicamentos mais frequentemente envolvidos nesses casos.
O uso indiscriminado de remédios ainda pode levar à dependência, desencadear interações perigosas entre diferentes substâncias e favorecer a resistência medicamentosa. Nessa situação, microrganismos deixam de responder adequadamente aos tratamentos.
Orientações
O aumento do consumo de medicamentos nos últimos anos tornou esse cenário ainda mais preocupante. O envelhecimento da população, o crescimento das doenças crônicas e os impactos emocionais intensificados após a pandemia de Covid-19 contribuíram para o avanço, sobretudo no uso de medicamentos voltados ao tratamento de ansiedade, depressão e insônia.

“O que serviu para mim não necessariamente serve para o meu parente ou vizinho. Muitas doenças apresentam sintomas parecidos, mas exigem tratamentos completamente diferentes. (…) É fundamental se consultar com um médico, que após o diagnóstico poderá indicar o medicamento apropriado. Além disso, tente seguir à risca os direcionamentos do profissional, tomando a medicação na dose e no tempo indicados”, pontuou.
Além do acompanhamento de médicos e farmacêuticos, especialistas ressaltam que o uso racional de medicamentos deve estar associado à adoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas e cuidados com a saúde mental.
Em Fortaleza, 102 farmacêuticos atuam em unidades de referência e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), prestando orientações à população sobre a utilização correta dos medicamentos e contribuindo para que os tratamentos promovam o restabelecimento da saúde sem causar novos problemas.
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