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Caso Isabelle: João Munhoz é indiciado por violência psicológica e obstrução de Justiça

Quase três semanas após a morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, a Polícia Civil do Ceará (PCCE) concluiu o inquérito e indiciou João Munhoz Neto, de 34 anos, pelos crimes de violência psicológica e obstrução de Justiça. A perícia apontou que a jovem morreu após uma precipitação voluntária do terraço do edifício onde morava e João não foi indiciado por induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio. 

Entre os elementos analisados pelas autoridades estão depoimentos, imagens, dados de aparelhos eletrônicos e exames periciais. Os trabalhos foram realizados pelo Grupo Especial de Investigação (GEI), com participação de equipes da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).  

Ao todo, 20 peritos e auxiliares de perícia participaram da apuração. Também foram ouvidas pessoas próximas ao caso, como a diarista que trabalhava na residência de João, a síndica do condomínio e a ex-mulher dele, com quem ainda é legalmente casado. 

Caso Isabelle: João Munhoz é indiciado por violência psicológica e obstrução de Justiça
Foto: Reprodução

Relatos colhidos pelos investigadores apontaram que Isabelle e João haviam iniciado um relacionamento cerca de dois meses antes da morte da estudante. Em 13 de setembro, ela teria contado a um familiar que vivia uma relação abusiva, sentia-se constantemente vigiada e enfrentava comportamentos que considerava agressivos e possessivos.  

O proprietário do escritório de advocacia onde os dois trabalhavam também prestou depoimento e, segundo informações repassadas por seu advogado, relatou ter ouvido reclamações de Isabelle sobre a conduta de João no ambiente profissional. A relação profissional entre os dois também foi considerada na investigação.  

João ocupava uma posição de chefia no escritório e, conforme o relato atribuído à estudante, teria dificultado que ela desempenhasse atividades profissionais sem acompanhamento. Documentos reunidos no inquérito ainda registraram informações sobre a participação dele em diferentes aspectos da rotina de Isabelle, incluindo cobranças relacionadas à localização e às atividades da jovem. Ela havia ingressado no escritório como estagiária e, posteriormente, deixou a casa da mãe para morar com João, o irmão e a mãe dele. 

Já a situação judicial de João mudou na última quinta-feira (01º/10), quando a Justiça do Ceará revogou a prisão preventiva que havia sido decretada em 22 de setembro. A decisão da 5ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza ocorreu após pedido da defesa e manifestação favorável do Ministério Público do Ceará (MPCE).  

Com a medida, ele passou a cumprir cautelares, incluindo monitoramento eletrônico, proibição de deixar a comarca e restrições de contato e aproximação dos familiares de Isabelle.  

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