
O Ceará apresentou melhora significativa nas condições de seca durante o mês de abril, conforme os dados mais recentes do Monitor de Secas. O levantamento aponta redução expressiva das categorias mais severas do fenômeno no estado, além do desaparecimento da área classificada com seca extrema.
De acordo com o mapa referente ao mês de abril, a área com seca extrema, que em março representava 13,79% do território cearense, deixou de existir no estado. Também houve forte redução da seca grave, que caiu de 24,26% para 5,14%.
Outro dado apontado pelo monitor foi a diminuição da área com seca moderada, que passou de 46,82% para 38,51% do território estadual. Em contrapartida, houve ampliação da área classificada com seca fraca, que aumentou de 15,13% para 56,35%.
Segundo o diretor técnico da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos, Francisco Vasconcelos Junior, o cenário reflete os impactos positivos das chuvas registradas nos últimos meses em diferentes regiões do Ceará.
“O último mapa do Monitor de Secas (mês de abril) indica melhora das condições de seca no estado do Ceará em relação ao mês anterior. Essa atenuação da intensidade da seca está associada aos acumulados de chuva registrados em algumas regiões do estado, com destaque para a região central do estado, e para a região Jaguaribana. Nesse contexto, o principal destaque foi o desaparecimento da área com seca extrema, que em março correspondia a 13,79% do território estadual. Também houve forte redução da seca grave, que passou de 24,26% para 5,14%, além da diminuição da área com seca moderada, de 46,82% para 38,51%.”
Ainda de acordo com o diretor técnico, o avanço da seca fraca indica uma mudança no padrão da estiagem no Ceará, com predominância de categorias menos intensas.
“Ao mesmo tempo, verificou-se a expansão da área com seca fraca, que aumentou de 15,13% para 56,35%. Esse movimento sugere uma reconfiguração do cenário da seca no Ceará, com retração das categorias mais severas e predominância de condição menos intensa no território. Assim, os volumes de chuva ao longo de fevereiro a abril em áreas da região hidrográfica do Alto Jaguaribe, Cariri cearense e do Litoral Norte do estado contribuíram para a atenuação dos impactos associados ao segundo semestre do ano passado e, sobretudo, a melhora relativa apontada pelo monitor.”
Como funciona o Monitor de Secas
O Monitor de Secas é um processo de acompanhamento regular e periódico da situação da seca, cujos resultados consolidados são divulgados por meio de um mapa. Mensalmente, são analisadas informações de seca disponibilizadas até o mês anterior, com indicadores que refletem o curto (1, 3, 4 e 6 meses) e o longo (9, 12, 18 e 24 meses) prazo, com o objetivo de verificar como está ocorrendo o processo de evolução (intensificação) ou involução (atenuação) do fenômeno da seca no território brasileiro, tendo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) como instituição central no processo.
O mapa do Monitor de Secas é produzido com base no compartilhamento de informações e na convergência de evidências sobre o fenômeno e seus impactos. Diferente de outras metodologias de monitoramento da seca, o Monitor utiliza fontes variadas de dados e produtos derivados das redes de monitoramento meteorológico, hidrológico e agrícola, da União e dos Estados, além de contar com o apoio das redes de observadores locais.


