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Ceará se destaca em transplantes de córnea, mas fila cresce no Brasil

O Ceará se destacou nacionalmente na realização de transplantes de córnea em 2025. Ao longo do ano, foram realizados 1.371 procedimentos no estado, enquanto 1.639 novos pacientes entraram na fila. Mesmo com o número de novos ingressos superior ao de cirurgias, a alta rotatividade permitiu que o Ceará encerrasse dezembro com 93 pessoas aguardando pelo transplante.

Foto: Agência Brasil/Reprodução

O resultado coloca o estado entre os principais exemplos de agilidade na gestão da fila de transplantes de córnea no país. O Mato Grosso também apresentou um cenário semelhante, com 37 pacientes ativos no fim de 2025.

Fila nacional cresce mesmo com recorde de transplantes

No Brasil, 37.719 pessoas aguardam atualmente por um transplante de córnea. Em dezembro de 2025, eram 32.639 pacientes, o que representa um crescimento de cerca de 16% no período.

Apesar do aumento da fila, o país registrou em 2025 o maior número de transplantes de córnea da série apresentada pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), com 17.790 cirurgias realizadas. O número supera os 17.108 procedimentos de 2024.

Segundo o CBO, o cenário representa um paradoxo: mesmo com o sistema próximo da capacidade necessária para atender à demanda anual, a lista de espera continua crescendo devido ao número de novas indicações médicas.

Atualmente, o tempo médio de espera por um transplante de córnea no país é de 370 dias. Há dez anos, a média era de 174 dias.

Estados enfrentam cenários diferentes

O desempenho dos estados é desigual. Enquanto o Ceará terminou 2025 com 93 pacientes ativos na fila, o Rio de Janeiro realizou 653 transplantes durante o ano e recebeu 1.720 novos pacientes. Com isso, encerrou dezembro com 4.760 pessoas aguardando pelo procedimento.

São Paulo concentra a maior fila absoluta, com 7.505 pacientes, seguido por Minas Gerais, com 4.532. Já Amapá e Roraima não registraram transplantes de córnea em 2025.

Entre os fatores apontados pelo CBO para o crescimento da fila estão o impacto da pandemia de covid-19, que provocou o represamento de pacientes entre 2020 e 2023, além da falta de reajustes nos valores pagos pelos procedimentos e das dificuldades enfrentadas pelos bancos de olhos, que têm custos de insumos cotados em dólar.

Os dados são discutidos durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador até sábado (12).

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