
O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, divulgou nesta terça-feira (12) um vídeo nas redes sociais em que nega envolvimento em irregularidades investigadas na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e anuncia que vai reapresentar ao Congresso Nacional a chamada “emenda Master”.
O senador foi alvo de mandados de busca e apreensão na última quinta-feira (7), em investigação que apura suposto favorecimento ao Banco Master e possíveis vantagens indevidas relacionadas à atuação parlamentar.
Durante o pronunciamento, Ciro afirmou que “nunca recebeu nenhum valor ilícito” e comparou a atual investigação a uma operação da Polícia Federal realizada em 2018, às vésperas das eleições daquele ano.
“Eu já passei por isso outras vezes. Para acusar, a criatividade é infinita. Na hora de comprovar, não conseguiram e não conseguirão”, declarou.
Segundo a investigação da PF, o senador teria atuado em favor de interesses do Banco Master no Congresso Nacional. A apuração também aponta suspeitas de pagamentos indevidos ligados a empresas da família do parlamentar.
No vídeo, Ciro rebateu as acusações e afirmou que os valores apontados pela investigação seriam incompatíveis com o faturamento das empresas citadas.
“Temos uma rede concessionária que fatura cerca de R$ 400 milhões por ano e estão me acusando por depósitos que representam menos de 1% desse valor”, disse.
“Emenda Master”
O senador também confirmou que pretende reapresentar a proposta que ficou conhecida como “emenda Master”. O texto, apresentado originalmente em 2024, previa ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
A proposta passou a ser associada ao Banco Master porque, segundo as investigações, a medida beneficiaria diretamente bancos médios ao ampliar a proteção oferecida aos investidores.
A Polícia Federal afirma que a sugestão da emenda teria sido elaborada por integrantes ligados ao banco e posteriormente reproduzida por Ciro Nogueira no Senado.
O parlamentar negou ter apresentado integralmente o texto recebido e afirmou que a proposta busca proteger correntistas, e não instituições financeiras.
“Esse fundo não protege bancos, protege os correntistas brasileiros”, afirmou.
Segundo Ciro, o valor atual de cobertura do FGC estaria defasado há mais de uma década. O senador argumentou ainda que o Banco Master “nem existe mais” e que a proposta agora serviria para beneficiar pequenos investidores e empresas.
Investigação
A nova fase da Operação Compliance Zero investiga suspeitas de atuação coordenada entre agentes políticos e representantes do Banco Master para defender interesses privados dentro do Congresso Nacional.
A decisão que autorizou a operação foi assinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Entre as medidas cautelares impostas está a proibição de contato entre Ciro Nogueira e outros investigados.
A operação também cumpriu mandados no Piauí, Distrito Federal, São Paulo e Minas Gerais, além de determinar bloqueio de aproximadamente R$ 18,85 milhões em bens e valores ligados aos investigados.
Até o momento, a Polícia Federal sustenta que há indícios de favorecimento político ao grupo econômico investigado. A defesa de Ciro Nogueira nega qualquer irregularidade.


