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Congresso promulga Lei da Dosimetria após derrubada de veto de Lula

Senador Davi Alcolumbre Reprodução: Jefferson Rudy/Agência Senado
Senador Davi Alcolumbre Reprodução: Jefferson Rudy/Agência Senado

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), promulgou nesta sexta-feira (8) a chamada Lei da Dosimetria, aprovada após a derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Projeto de Lei 2.162/23.

A nova legislação será publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) e altera regras de aplicação e cumprimento de penas no sistema penal brasileiro, com impacto direto sobre condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

Entre os possíveis beneficiados está o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão no julgamento da trama golpista.

O projeto havia sido vetado integralmente por Lula em 8 de janeiro deste ano, data em que os ataques às sedes dos Três Poderes completaram três anos. Na última quinta-feira (30), porém, Câmara e Senado decidiram derrubar o veto presidencial.

Na Câmara dos Deputados, foram 318 votos favoráveis à derrubada e 144 contrários. No Senado Federal, o placar foi de 49 votos a favor e 24 contra.

Pela Constituição, após a derrubada de um veto presidencial, o presidente da República tem até 48 horas para promulgar a lei. Segundo apuração de bastidores, Lula optou por não sancionar o texto para evitar associação direta do governo à proposta. Com isso, a promulgação passou ao presidente do Congresso.

O que muda

A Lei da Dosimetria cria mecanismos de redução de pena para crimes cometidos em contexto de multidão.

O texto prevê redutor entre um terço e dois terços para condenados que não tenham atuado como financiadores, líderes ou organizadores dos atos.

Segundo o relator da proposta na Câmara, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), a nova regra pode reduzir significativamente o tempo de prisão de condenados pelos atos de 8 de janeiro.

De acordo com o parlamentar, a pena em regime fechado atribuída a Jair Bolsonaro poderia cair de cerca de sete anos para pouco mais de dois anos.

A lei também altera regras da Lei de Execução Penal relacionadas à progressão de regime.

Com a mudança, condenados poderão passar do regime fechado para modalidades mais brandas após cumprir 16% da pena. Para reincidentes, o percentual será de 20%.

Antes da alteração, condenados primários precisavam cumprir ao menos 25% da pena em regime fechado, enquanto reincidentes precisavam cumprir 30%.

Manobra de Alcolumbre

Antes da votação do veto, Alcolumbre realizou uma manobra regimental para retirar da análise um trecho do projeto que poderia entrar em conflito com a chamada Lei Antifacção.

O dispositivo retirado flexibilizava regras de progressão de regime para crimes graves, incluindo feminicídio e crimes hediondos.

Como o veto presidencial havia sido integral, o procedimento adotado por Alcolumbre foi considerado incomum dentro do Congresso. A medida permitiu que os parlamentares derrubassem o veto sem reintroduzir trechos considerados mais brandos para condenados por crimes de maior gravidade.

Governo avalia recorrer ao STF

Após a derrota no Congresso, aliados do governo anunciaram que estudam recorrer ao Supremo Tribunal Federal.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que o partido pretende judicializar a decisão.

Entre os argumentos discutidos está justamente o desmembramento do veto presidencial realizado durante a votação no Congresso, considerado por governistas potencialmente questionável do ponto de vista jurídico.

Apesar disso, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que o STF tende a evitar interferência direta na disputa entre Legislativo e Executivo.