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Defesa Civil classifica situação do Açude Jangurussu como perigosa

Uma vistoria técnica realizada no dia 13 de março por órgãos ambientais e de defesa civil identificou riscos estruturais na barragem do Açude Jangurussu, em Fortaleza. A inspeção contou com a participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Defesa Civil e da Secretaria Executiva Regional 9, e a situação foi considerada preocupante.

Durante a visita, os técnicos constataram sinais de desgaste na parede do reservatório, incluindo pontos de erosão e raízes de árvores expostas. Segundo os especialistas, essas condições podem comprometer a estabilidade do solo e aumentar o risco de danos à estrutura.

Outro fator apontado na vistoria foi o uso da parede do açude como passagem para pedestres e motociclistas. De acordo com os técnicos, a circulação frequente sobre o local amplia a pressão sobre uma estrutura já fragilizada.

Defesa Civil classifica situação do Açude Jangurussu como perigosa
Foto: José Leomar

Como encaminhamento, a Defesa Civil de Fortaleza informou que a Secretaria Municipal do Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) está elaborando um relatório técnico detalhado para definir as responsabilidades e as providências definitivas a serem adotadas.

Após a execução das obras de drenagem pela construtora responsável pelo empreendimento na região, novas inspeções serão realizadas pela Defesa Civil e pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). O objetivo é verificar se o reservatório voltou a apresentar condições adequadas de estabilidade.

Em nota, a construtora Tenda informou que as intervenções terão início em 15 de maio, em articulação com os órgãos públicos envolvidos e com todas as autorizações já emitidas. A empresa afirmou ainda que realizou estudos técnicos desde o início do empreendimento, seguindo padrões de boas práticas, e desenvolveu um projeto complementar de drenagem. Segundo a construtora, a medida tem como finalidade melhorar o escoamento da água e reduzir o acúmulo hídrico no entorno do açude.

“O empreendimento segue regularmente licenciado e a empresa permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos”, declarou a Tenda.

A Cogerh informou que já concluiu um relatório técnico sobre as condições estruturais do reservatório e encaminhou o documento ao Dnocs, com o objetivo de subsidiar a adoção das medidas necessárias pelos órgãos responsáveis. A companhia também destacou que permanece à disposição para prestar apoio técnico à Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará (SRH), responsável pela fiscalização de barragens, e à Defesa Civil de Fortaleza, inclusive por meio de novas vistorias.

Apesar de o problema ter ganhado maior repercussão recentemente, moradores do bairro Jangurussu relatam temor de rompimento da barragem há pelo menos quatro décadas. Desde os anos 1980, a comunidade convive com episódios de alagamentos e preocupações relacionadas à segurança estrutural do açude, especialmente durante períodos de chuvas intensas. Além do risco de colapso, a água do reservatório é atualmente considerada imprópria para o consumo humano.

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