
Durante o “Dezembro Vermelho” é preciso ressaltar as informações sobre a prevenção às infecções sexualmente transmissíveis (IST). O último mês do ano recebeu esse nome por ser uma extensão ao Dia Mundial de Combate à AIDS, celebrado no dia 1º. Esta data foi definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) na década de 1980, período em que a AIDS vivia uma realidade muito diferente da atual.
Desde então, foram registrados consideráveis avanços em tratamento e diagnóstico de HIV ((Human Immunodeficiency Virus) e AIDS (Acquired Immune Deficiency Syndrome) que mudaram o curso natural da doença. “Podemos dizer que esses avanços se devem à luta constante pelo combate à AIDS, pois a melhor forma de combatê-la é falar sobre ela, eliminar os estigmas que temos até hoje em relação às pessoas portadoras do HIV e com AIDS. A sociedade precisa compreender que é possível viver e conviver com o HIV de forma plena, saudável e feliz”, explicou a médica do SESI Ceará , Yara Maria Freitas Bezerra.
HIV x AIDS
Apesar do assunto ser bem mais difundido do que em outros tempos, muitas pessoas confundem os termos utilizados: HIV é usado para se referir ao vírus da imunodeficiência humana. Já a AIDS significa síndrome da imunodeficiência adquirida. Ou seja, HIV é um vírus, já a AIDS é uma síndrome que pode ser desenvolvida por pessoas portadoras desse vírus. “A AIDS ocorre quando o vírus, se não descoberto a tempo, começa a afetar os leucócitos, um tipo de células de defesa do corpo e o deixa mais vulnerável às diversas doenças oportunistas. Elas são conhecidas assim porque precisam encontrar o sistema imunológico enfraquecido para se manifestarem. Ao longo do tempo, as doenças oportunistas vão debilitando de forma progressiva a saúde da pessoa doente, podendo levar à morte”, detalha a médica do Sesi.
Infecção
Atualmente, fala-se mais sobre prevenção às infecções sexualmente transmissíveis (IST) e não mais doenças sexualmente transmissíveis como no passado. Segundo Yara Bezerra, essa troca do termo DST para IST foi muito oportuna, pois nem sempre uma infecção se manifesta como doença. “O que precisamos é evitar a infecção. Evitando a infecção, evitamos a doença. A melhor forma de prevenção contra a grande maioria das ISTs é o uso correto de preservativo durante a relação sexual. Para algumas infecções também há vacinação, como a contra a hepatite B e o HPV, por exemplo; ambas distribuídas pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, declara.
A médica ressalta, ainda, que muitas pessoas não têm conhecimento, mas atualmente, também há a possibilidade de usar medicações para evitar que, no caso de exposição ao vírus, não haja a infecção. “Essa situação é mais frequente em pessoas que sofrem abusos sexuais ou em profissionais de saúde que se acidentam no trabalho e se expõem a material perfurocortante contaminado”, alerta.
No caso desse tipo de exposição é necessário procurar os Centros de Referência para doenças infecciosas do município. Se acontecer no expediente laboral, o médico do trabalho responsável precisa ser informado para avaliar o profissional de saúde acidentado e seguir o procedimento para evitar a infecção do profissional.
Medicações
Existem diversas doenças e infecções sexualmente transmissíveis que, uma vez diagnosticadas e corretamente tratadas, pode-se conseguir a cura por meio de medicações, como sífilis, infecções por clamídia ou gonococo. Porém, para algumas doenças, não se consegue a cura, como a AIDS e a Hepatite B, havendo risco de se tornar crônica ou levar à morte.
“O fundamental é que as infecções sejam diagnosticadas ainda antes de se tornarem doenças, assim a possibilidade de evitar complicações é bem maior. Para a infecção pelo HIV, por exemplo, o acompanhamento médico regular feito com exames e consultas evita a progressão para AIDS”.
O recomendado é que exames para detecção de IST sejam feitos rotineiramente, especialmente no público de maior risco que englobam pessoas abaixo de 30 anos ou em pessoas que não façam uso de preservativo. Uma IST detectada precocemente abre a possibilidade de quebrar a cadeia de transmissão, bem como, ser tratada antes de surgirem sintomas e complicações. É importante lembrar que tanto o tratamento como os exames para diagnóstico são acessíveis a qualquer pessoa por meio do SUS.
Atenção na gestação
O principal mito relacionado à gestação é pensar que um homem ou mulher portadores de HIV estão fadados a não procriarem. A médica do Sesi explica que a gestação em um casal HIV positivo é possível, contudo é necessário que estejam fazendo acompanhamento regular com médico e haja uma programação da gestação para que aconteça no momento ideal com risco de transmissão próximo ao zero.
Já foi reconhecido pela OMS, baseado em diversos estudos, que uma pessoa portadora de HIV que esteja com o vírus indetectável por mais de seis meses não transmite o vírus por via sexual. Ou seja, é possível que um casal tenha relação sexual sem preservativo se tiver o objetivo de engravidar. No entanto, a transmissão vertical ainda pode acontecer. Uma gestante portadora de HIV precisa ter o parto programado e não pode amamentar. A transmissão vertical nesta situação é o principal risco.
Assistência médica
Durante as consultas de rotina com o médico de confiança do paciente é possível fazer uma abordagem para levantar o risco de IST de forma que todos os exames necessários sejam solicitados. Quanto mais cedo uma IST ou Doença Sexualmente Transmissível (DST) for diagnosticada, melhor será o prognóstico dela.
Nas clínicas do Sesi, em Fortaleza, Maracanaú, Sobral e Juazeiro do Norte, é possível realizar atendimento médico com urologista e ginecologista, além de médicos clínicos credenciados, contando com a realização de exames específicos para diagnóstico de infecções sexualmente transmissíveis.
Para outras informações, acesse o site do Sesi ou ligue no 85 4009.6300


