O número de pacientes encaminhados ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) em decorrência de quedas registrou aumento de quase 50% entre janeiro e maio deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. Ao todo, foram 258 atendimentos nesse recorte, volume que corresponde a mais da metade das transferências por trauma recebidas pela unidade.
O dado reforça a relevância das quedas como uma das principais causas de lesões ortopédicas no país. O alerta ganha destaque nesta quarta-feira (24/06), data em que se celebra o Dia Mundial de Prevenção de Quedas, instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e incorporado ao calendário do Ministério da Saúde.
Por se tratar de um hospital federal de referência em alta complexidade, o Into recebe apenas casos que exigem avaliação especializada. Segundo a unidade, todos os pacientes transferidos necessitam, ao menos, de investigação médica detalhada para verificar a possibilidade de intervenção cirúrgica. Na maioria das situações, o procedimento acaba sendo necessário.

De acordo com o chefe do Centro de Trauma do Into, Tito Rocha, o envelhecimento da população é um dos principais fatores associados ao crescimento desses registros. Ele destaca que mais de 70% dos pacientes atendidos tinham 60 anos ou mais.
“A falta do equilíbrio, a diminuição da força, a perda da acuidade visual, tudo isso vem com a idade. Nos últimos 20 anos, a gente teve aumento fantástico da longevidade. Quando você aumenta o número de pessoas idosas, você aumenta também o número de problemas relacionados à idade”, disse.
Os próprios dados do instituto reforçam essa tendência: a maior parte das quedas ocorre durante atividades cotidianas, a chamada queda da própria altura, geralmente provocada por desequilíbrios simples. Ainda assim, as consequências podem ser graves, sobretudo entre idosos.
“O jovem, quando cai de própria altura, geralmente sacode a poeira e dá a volta por cima. O idoso não. Ele não consegue nem se levantar e normalmente faz uma fratura que precisa de algum tratamento cirúrgico ou que ele fique acamado”, explicou.
As complicações associadas a essas fraturas também preocupam. Segundo o médico, a internação pode levar a infecções e outras intercorrências. Ele acrescenta que a mortalidade relacionada a fraturas em idosos é elevada: nos primeiros 30 dias após o acidente, e ao longo de até um ano, os índices podem variar entre 20% e 30%.

A prevenção, segundo o especialista, passa por duas frentes principais. A primeira envolve o fortalecimento físico, com a prática regular de exercícios e o tratamento de condições como a osteoporose. “Uma pessoa que já não consegue levantar sozinha de uma cadeira, se ela cai e quebra um osso, ela vai ter uma recuperação bem mais difícil, porque ela já não tinha força óssea e muscular antes”, observou.
A segunda frente está relacionada à adaptação dos ambientes domésticos. Entre as recomendações estão a instalação de barras de apoio em banheiros, a retirada de tapetes soltos, o uso de calçados antiderrapantes e o cuidado com animais domésticos, que podem causar tropeços.
Tito ressalta ainda que o envelhecimento populacional não deve ser encarado de forma negativa. Ele destaca que, atualmente, as pessoas vivem mais e permanecem ativas por mais tempo, embora isso também traga novos desafios de saúde.
“Chegar aos 90 anos é ótimo, mas tem um preço. Ainda são pessoas com mais comorbidades, mais frágeis, com algum déficit cognitivo”, concluiu.
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