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Envelhecimento populacional pode impactar dinâmica da Previdência

O Brasil está enfrentando um envelhecimento da população mais rápido do que o previsto, o que pode impactar na Previdência Social. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2070, a população idosa deve representar 37,8% do total no país. O destaque é para o Ceará, onde a proporção chegará a 39,26%.

Esse crescimento acelerado de uma proporção de idosos de 8,7% em 2000 para 15,6% em 2023. Os dados refletem a melhoria nas condições de vida e o aumento da expectativa de vida, que deve atingir 83,9 anos até 2070.

Envelhecimento populacional pode impactar dinâmica da Previdência
Foto: Reprodução

Embora o aumento na longevidade seja um indicador positivo do desenvolvimento, ele coloca pressão sobre o sistema de previdência social, que depende dos trabalhadores ativos para financiar os aposentados. Alesandra Benevides, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), destaca que o crescimento da população idosa pode intensificar o déficit previdenciário, uma vez que o sistema atual está baseado na contribuição dos trabalhadores em atividade.

“O Brasil tem um sistema previdenciário de repartição, em que os atuais trabalhadores contribuem para a previdência de quem está aposentado hoje e assim por diante. É um sistema que depende basicamente do mercado de trabalho, mas quando a gente pensa no aumento da população idosa, normalmente ela está fora desse mercado”, explica.

A recente Reforma da Previdência de 2019, que aumentou a idade mínima para aposentadoria e o tempo de contribuição, buscou ajustar o sistema, mas Adriane Bramante, do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), defende que ainda são necessárias medidas adicionais. Ela sugere que o governo deve focar em atrair trabalhadores informais e aposentados que continuam ativos para melhorar a arrecadação sem reduzir direitos ou aumentar as idades de aposentadoria.

No Nordeste, a situação é ainda mais crítica. A maioria dos estados nordestinos enfrentará uma redução populacional antes do restante do Brasil, com Alagoas começando a ver declínios já em 2027. O Ceará começará a perder habitantes a partir de 2043, após atingir seu pico populacional em 2042.

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