PUBLICIDADE

Estudantes brasileiras criam solução para conter incêndios florestais

Um retardante biológico desenvolvido por duas estudantes de Biotecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) pode representar um novo caminho no combate aos incêndios florestais. Batizado de BIODEFENSER®, o produto utiliza um composto natural capaz de conter as chamas sem causar danos ao meio ambiente e ainda favorecer a recuperação das áreas atingidas.

A inovação garantiu às universitárias Mariah Fraulo Cavalcante e Taciane Beatriz Ferreira uma vaga na etapa internacional do Hult Prize 2026. Esta é a maior competição de empreendedorismo estudantil do mundo, que premiará a equipe vencedora com um investimento de US$ 1 milhão.

Únicas representantes do Brasil na disputa, as estudantes conquistaram as etapas regional e nacional do Hult Prize após superarem cerca de 18 mil equipes inscritas em todo o mundo. Organizada pela Hult International Business School, a competição desafia universitários a desenvolver startups com potencial para solucionar problemas globais por meio de modelos de negócio inovadores e lucrativos.

Estudantes brasileiras criam solução para conter incêndios florestais
Foto: Divulgação/PUC

Agora, a dupla integra o grupo das 90 melhores equipes da competição. Destas, apenas 20 serão selecionadas para uma etapa em Londres, onde participarão de mentorias e atividades com especialistas. Ao final do processo, somente oito equipes disputarão a premiação principal, cujo resultado será divulgado em setembro.

O desenvolvimento da tecnologia começou no fim de 2024, durante o Health Innovation PUC-PR (HIPUC), evento promovido pela Escola de Medicina e Ciências da Vida da universidade. A proposta venceu a competição e foi selecionada para integrar o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI), sob orientação do professor Luiz Fernando Bianchini.

A inexistência de pesquisas semelhantes sobre a proposta levou a estudante a desenvolver praticamente toda a tecnologia do zero. Com a aprovação do projeto de iniciação científica, ela passou a utilizar os laboratórios da universidade para dar sequência aos experimentos.

O primeiro investimento para transformar a ideia em um produto veio por meio do Programa Institucional de Bolsas de Empreendedorismo e Pesquisa (PIBEP). Após conquistar o primeiro lugar, Mariah recebeu R$ 10 mil para aquisição de equipamentos e materiais destinados à fabricação dos primeiros protótipos.

A equipe ganhou reforço em 2025 com a entrada de Taciane Beatriz Ferreira, colega de graduação e amiga de Mariah desde o início do curso. Segundo a pesquisadora, o interesse comum em desenvolver soluções capazes de gerar benefícios coletivos motivou a parceria.

Estudantes brasileiras criam solução para conter incêndios florestais
Foto: Divulgação/PUC

Os testes laboratoriais realizados até o momento mostraram que o BIODEFENSER® conseguiu extinguir chamas em ambiente controlado. A próxima etapa prevê experimentos em escala maior, enquanto a expectativa das pesquisadoras é levar a tecnologia ao mercado ainda no segundo semestre deste ano.

O processo de registro da patente já foi iniciado tanto no Brasil quanto no exterior. A intenção é proteger a tecnologia e permitir que ela possa ser utilizada em diferentes países, já que os incêndios florestais representam um problema de escala global.

A dimensão desse desafio é evidenciada pelos dados do relatório State of Wildfires, que apontam que os incêndios florestais emitiram 8,6 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) em 2024, além de provocarem prejuízos superiores a US$ 250 bilhões em todo o mundo. Novos testes deverão ser realizados em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A conclusão dos testes de estabilidade da formulação e da eficácia do retardante é considerada a etapa decisiva para atrair investidores privados. Nesse processo, a Embrapa Florestas já demonstrou interesse em realizar testes de campo e avaliar o comportamento dos resíduos deixados pelo produto.

Outra parceria prevista envolve a Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde deverá ser utilizada uma câmara de combustão para verificar a eficiência do retardante em condições mais próximas da realidade. Antes disso, a equipe pretende concluir todas as avaliações internas na PUC-PR para definir a formulação considerada ideal.

A produção do BIODEFENSER® deverá ocorrer por meio de uma startup criada pelas próprias pesquisadoras, embora também exista a possibilidade de licenciar a tecnologia para empresas ou laboratórios interessados em fabricar o produto.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o Brasil registrou 10.442 focos de incêndio entre janeiro e abril de 2026. No mesmo período, mais de 150 milhões de hectares de vegetação foram queimados em todo o mundo, segundo levantamento da World Weather Attribution (WWA).

Alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), a tecnologia cria uma barreira térmica que reduz a propagação das chamas e permanece ativa após a aplicação, formando uma camada bioativa sobre o solo e a vegetação. Além de dificultar o surgimento de novos focos de incêndio, essa película contribui para a recuperação ambiental, enriquece o solo, não provoca contaminação e ainda reduz o consumo de água normalmente utilizado no combate ao fogo.

Acompanhe mais notícias da Rede ANC através do Instagram, Spotify ou da Rádio ANC.

Compartilhar: