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Estudo aponta avanço da violência contra grupos vulneráveis no Brasil

O Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26/05) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta que a violência letal contra pessoas negras segue em níveis elevados no Brasil. Segundo o levantamento, fatores como desigualdade estrutural, criminalidade e racismo contribuem para a manutenção desse cenário.

Em 2024, o país registrou 32.820 homicídios de pessoas negras, número que representa 77% de todas as mortes violentas contabilizadas no período. A taxa foi de 27,3 homicídios por 100 mil habitantes negros, enquanto entre não negros o índice ficou em 10,1 por 100 mil. De acordo com o estudo, pessoas negras têm 2,7 vezes mais chances de serem assassinadas no Brasil.

Estudo aponta avanço da violência contra grupos vulneráveis no Brasil
Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Na série histórica entre 2014 e 2024, foram contabilizados 435.551 assassinatos de pessoas negras no país. Apesar da redução dos homicídios ao longo da década, a queda ocorreu de forma desigual: entre não negros, o recuo foi de 38,9%, enquanto entre negros chegou a 21,7%.

Demais grupos vulneráveis

O Atlas também chama atenção para o aumento da violência contra grupos vulneráveis. Entre 2023 e 2024, as notificações de violência contra homossexuais e bissexuais cresceram 5,5%, alcançando 10.250 registros. Já os casos envolvendo pessoas trans e travestis aumentaram 2,5%, totalizando 5.575 notificações.

Entre os povos indígenas, o levantamento aponta retomada do crescimento da violência letal. Em 2024, a taxa de homicídios entre indígenas chegou a 24,6 por 100 mil habitantes, índice superior à média nacional. No Amazonas, os assassinatos de indígenas passaram de 36 casos em 2023 para 73 em 2024.

O estudo ainda destaca o avanço da violência contra idosos. As notificações de violência interpessoal cresceram 226,3% entre 2014 e 2024, chegando a mais de 30 mil casos anuais. O levantamento também alerta para o aumento das mortes por queda entre a população idosa, fenômeno associado ao envelhecimento populacional.

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