
As autoridades policiais do Ceará prenderam um grupo de oito pessoas responsável por um esquema irregular em Pacajus. Estas pessoas manipulam corridas por aplicativo de transporte, justamente com o objetivo de tornar o serviço mais caro para passageiros da cidade da Região Metropolitana de Fortaleza. Além de causar prejuízos para os usuários, a prática fraudulenta também causa danos às próprias empresas.
De acordo com as investigações iniciais, o grupo atuava a partir de um imóvel localizado no distrito de Itaipaba. O local funcionava como uma espécie de ponto central para realização dos trâmites que tornavam as viagens mais caras. No endereço, os suspeitos utilizavam diversos celulares conectados simultaneamente e contas falsas para manipular o funcionamento dos aplicativos.
Entre as práticas identificadas pelas autoridades estão:
- criação de perfis falsos de passageiros ou motoristas;
- alteração do destino durante a corrida, aumentando o trajeto;
- uso de múltiplos aparelhos para simular grande demanda de corridas;
Durante a operação, agentes da Guarda Municipal de Pacajus apreenderam cerca de 30 celulares, aproximadamente 15 carregadores e suportes para manter os aparelhos funcionando ao mesmo tempo, além de três veículos que estariam ligados à atividade investigada.
Todo o material e os suspeitos foram encaminhados para a Polícia Civil do Estado do Ceará, que instaurou um inquérito para aprofundar as investigações e identificar se há outros envolvidos no esquema.
Casos de fraude em aplicativos de mobilidade urbana têm sido registrados em diferentes cidades brasileiras nos últimos anos. Plataformas de transporte funcionam conectando passageiros e motoristas por meio da geolocalização e do cálculo automático de tarifas com base na distância e no tempo da viagem.
Porém, criminosos podem tentar manipular esse sistema com estratégias como:
- corridas falsas ou simuladas para gerar pagamento indevido;
- alteração de rota ou destino para encarecer a viagem;
- uso de múltiplas contas e aparelhos para enganar o algoritmo do aplicativo.
Corridas por aplicativos – fraudes em outros municípios
Em agosto de 2025, a Polícia Civil identificou um esquema irregular praticado por motociclistas e motoristas de aplicativo que fraudavam o sistema de tarifas da Uber. A prática, conhecida como “corrida falsa”, consistia em manipular artificialmente o preço das corridas, criando uma falsa demanda em determinadas regiões.
Semelhante ao caso de Pacajus, o grupo se reunia em locais como postos de combustíveis ou ruas específicas e, ao mesmo tempo, os integrantes solicitavam “corridas falsas”. Essa ação elevava a tarifa dinâmica na plataforma. Em seguida, com outro aparelho, os próprios envolvidos pediam viagens como passageiros. Assim, conseguiam receber valores mais altos pelas corridas.
Segundo as denúncias, a prática vinha sendo registrada em municípios da Região Metropolitana de Fortaleza, como Aquiraz, Eusébio, Pindoretama e Cascavel. A Uber informou que colabora com as autoridades e ressaltou que usuários flagrados nesse tipo de fraude podem ser banidos da plataforma.
Na época, a Polícia deflagrou uma operação para deter um grupo de pessoas que estava fraudando o preço das corridas por aplicativo. Após serem presos, os envolvidos foram autuados por crimes de extorsão, associação criminosa e crimes contra a ordem tributária. A denúncia partiu, sobretudo, por parte de motoristas que utilizam a plataforma para trabalhar da forma correta. À REDE ANC, um motorista, que optou por não se identificar, afirmou que recebeu críticas de outros usuários da plataforma por não aderir ao esquema.
“Eu passei três anos trabalhando dia e noite para entrar na ‘categoria ouro’. Tive de fazer mais de 4 mil corridas para poder chegar nessa fase. Não quero me sujar por isso e perder meu sustento. Eu sabia que uma hora isso ia dar errado e é provável que quem está envolvido seja banido da plataforma”, declarou.
Corridas por aplicativo: possíveis crimes e punições em fraudes
Em Pacajus, embora a investigação ainda esteja em andamento, os envolvidos podem responder por crimes previstos no Código Penal brasileiro. Dependendo do que for comprovado, essas serão as possíveis punições:
estelionato (obter vantagem ilícita por meio de fraude);
- associação criminosa, caso haja organização do grupo para praticar golpes;
- crime eletrônico ou fraude digital, quando há manipulação de sistemas informáticos.
Canais de denúncia
Caso o usuário perceba cobrança indevida ou fraude, ele pode denunciar por diferentes canais:
- Suporte dentro do próprio aplicativo (Uber, 99 ou outras plataformas);
- Polícia Civil do Estado do Ceará, por meio de delegacias ou da Delegacia Eletrônica;
- Procon Ceará, para registrar reclamações sobre cobrança abusiva;
Disque 190, em casos de suspeita de crime em andamento.


