
A condenação do pré-candidato ao Governo do Estado, Ciro Gomes (PSDB), por violência política de gênero repercutiu entre mulheres que ocupam cargos de destaque na política cearense. A primeira reação partiu de Jade Romero (MDB), vice-governadora do Ceará.
Para a gestora, que já ocupou o cargo de Secretária das Mulheres, Ciro Gomes ultrapassou o limite da crítica política, adentrando com comentários ofensivos e criminosos contra Janaína Farias, vítima dos ataques do ex-ministro.
“Ele atacou uma mulher que ocupa um cargo público no Ceará. É bom que se ressalte que a democracia nos permite discordar, mas dentro das quatro linhas da política. Violência não é opinião, violência política de gênero é crime”, criticou.
Posicionamento da prefeita
Vítima dos ataques, Janaína Farias (PT), prefeita de Crateús, se pronunciou pelas suas redes sociais. Para a gestora, o desfecho do processo judicial não é apenas uma conquista individual, mas uma vitória das mulheres.
Entre as punições aplicadas a Ciro Gomes, está o pagamento de 70 salários mínimos para Janaína Farias. Em seu pronunciamento, a prefeita revelou que o recurso será destinado para apoiar as mulheres.
“Fui a vítima, assim como tantas mulheres neste país. Essa vitória é um alento. O valor que ele terá que pagar, doarei integralmente para entidades ligadas à proteção do direito das mulheres”, destacou.
Quem também comemorou a decisão e saiu em defesa da prefeita de Crateús foi a deputada estadual Larissa Gaspar (PT), que tomará posse como Procuradora Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Ceará nesta sexta-feira (22/05).
“Com essa decisão, a Justiça dá um recado importante: machismo é destempero, é violência, não é jeito de tratar uma mulher. Esse tipo de crime deve ser combatido por toda a sociedade”, ressaltou.
Já Juliana Lucena, secretária das Mulheres do Ceará, também se posicionou. Para ela, mulheres, sobretudo as que exercem liderança, não podem ser alvos de ataques e ridicularização. “Muita gente acha normal diminuir e ridicularizar. Foi isso que Ciro Gomes fez. A política precisa de homens que respeitem as mulheres”, enfatizou.
Condenação de Ciro
A decisão da Justiça Eleitoral entendeu que declarações feitas por Ciro em 2024, época em que Janaína assumiu a vaga de senadora da República, ultrapassaram os limites da crítica política e tiveram caráter ofensivo e humilhante, atingindo a condição dela como mulher e sua atuação no cenário político.
A condenação de Ciro Gomes tem como base o artigo 326-B do Código Eleitoral, que tipifica o crime de violência política contra a mulher. A Justiça considerou que as declarações ocorreram de forma reiterada, configurando continuidade delitiva. Embora tenha sido responsabilizado criminalmente, o ex-ministro ainda pode recorrer da decisão às instâncias superiores.
Ciro foi condenado a 1 ano e 4 meses de prisão, mas a pena será substituída por medidas alternativas. O ex-ministro terá de pagar R$32.420 à prefeita de Crateús, valor já anunciado pela gestora como doação para entidades que atuem na defesa do direito das mulheres.
A Justiça também determinou que o pré-candidato ao Governo do Ceará pague 70 salários mínimos diretamente a entidades que atuem na defesa das mulheres na esfera pública ou privada, quantia essa fixada em R$ 81.050.


