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Mesmo eletrizante, Gran Turismo é pouco polido (Crítica)

Inspirado no game do mesmo nome da PlayStation, Gran Turismo: De Jogador a Corredor é um projeto dirigido por Neill Blomkamp (Distrito 9), onde relembra que filmes baseados em videogames podem render boas aventuras cinematográficas.

Estrelado por Archie Madekwe (Midsommar), o longa-metragem, apesar de não parecer, é inspirado em uma história real. Jann Mardenborough foi escolhido entre os melhores jogadores de Gran Turismo do mundo para entrar na GT Academy e tentar se tornar, juntos aos outros concorrentes, um piloto de verdade.

Mesmo com uma boa premissa, o projeto escrito por Jason Hall (Sniper Americano) e Zach Baylin (King Richard) usa de clichês narrativos que, ao invés de ajudar a agregar na contação da história, deixam tudo menos interessante. Eu entendo o lado da Sony Pictures em usá-los, para não ficar somente um filme de carro, entretanto, o longa não consegue abraçar todos. 

Isso é muito claro na relação de Jann com seu pai, vivido por Djimon Hounsou (Guardiões da Galáxia), e no romance com a personagem Maeve Courtier-Lilley (The Outpost). Estes dois pontos não estão bem conectados com o restante da narrativa, fazendo com que a gente não se lembre enquanto assiste ou que não nos importemos com o decorrer da história.  

A melhor parte de relacionamento do filme é com certeza entre o personagem Madekwe e David Harbour (Stranger Things), a clássica relação entre treinador e aprendiz, onde, mesmo que não se espere, um irá ajudar o outro mutuamente. Além do mais, ambos os atores possuem uma ótima química juntos, fazendo com que o texto funcione e fiquemos entretidos com apenas os dois conversando, seja comicamente ou dramaticamente.

Essa relação poderia ter sido aprimorada, caso o personagem de Orlando Bloom (Piratas do Caribe), fosse melhor incluído na narrativa. No geral, ele é apenas o criador do concurso da GT Academy, o tornando pouco interessante. Se o mesmo fosse um ponto de conflito com o personagem de Harbour, no qual um estaria interessado na visão publicitária do projeto e outro focado na preparação dos pilotos, poderíamos ter visto um conflito ainda maior em seu clímax. 

Apesar de todas essas imperfeições, Gran Turismo: De Jogador a Corredor consegue conquistar apenas com cenas de corrida, a direção de Neill Blomkamp, juntamente com a edição de Austyn Daines (Na Mente do Demônio) e Colby Parker Jr (Homem-Formiga). Todos os momentos de corridas profissionais são eletrizantes, onde não fica se utilizando a todo momento da linguagem dos games como muleta, consegue dar emoção do início ao fim e em vários momentos são de encolher na cadeira enquanto torce para o protagonista. 

Além disso, o som desse filme também é algo a ser destacado, não somente dos carros, muito bem utilizados nas corridas, mas também as músicas escolhidas para a trilha sonora, que se encaixam bem nas cenas e ainda servem de bons alívios cômicos.

Contudo, apesar das cenas de corridas fenomenais, o sentimento que fiquei no final do filme é que ele sozinho poderia ter rendido uma trilogia. Cada ato do projeto seria capaz de se tornar um filme único, fazendo com que pontos mal aproveitados, pudessem ser bem utilizados ou até mesmo descartados. Eu entendo a Sony Pictures jogar no seguro e escolher produzir uma história única, porém, com uma pré-produção melhor elaborada e produtores com uma melhor visão, é provável que isso pudesse ter acontecido. 

Por fim, Gran Turismo: De Jogador a Corredor é uma história com vários clichês mal utilizados. Contudo, possui uma narrativa do personagem desacreditado, que cativa quando se assiste. Junto a isso, corridas espetaculares, som acima da média e um final eletrizante, que quando você menos percebe, está torcendo para o protagonista. Mostrando, mais uma vez, o grande potencial de games para o cinema. 

Também leio nossas críticas de Besouro Azul, Fale Comigo e Asteroid City.  

Nota: 8/10