Mais de R$ 430 mil em dinheiro foram apreendidos durante uma operação do Ministério Público do Ceará (MPCE) que investiga um possível esquema de fraude em licitações e lavagem de dinheiro. Entre os três alvos da investigação estão um empresário e um secretário municipal de Paracuru. As identidades dos investigados não foram divulgadas.
Realizadas na segunda-feira (14/09) e nesta quarta-feira (16/09), as diligências resultaram no cumprimento de seis mandados de busca e apreensão em Fortaleza, Paraipaba e Trairi. Além do dinheiro, foram recolhidos dispositivos eletrônicos. Do total apreendido, havia R$ 254 mil, € 26 mil (euros) e US$ 6 mil (dólares) em espécie.
Um fato que chamou a atenção dos investigadores foi o volume de recursos movimentado por uma empresa do setor de eventos. Apenas em contratos firmados nos exercícios de 2024 e 2025, o valor ultrapassou R$ 79 milhões, segundo o MP. A estrutura do empreendimento, porém, foi considerada incompatível com a movimentação financeira, já que a empresa funciona em um imóvel descrito pelo órgão como de “porte praticamente residencial”. Nos últimos meses, também foram identificados saques superiores a R$ 4 milhões em espécie.

A origem da investigação está em um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou movimentações atípicas relacionadas à empresa, sediada no interior do Ceará. Embora o proprietário tenha declarado faturamento anual de R$ 12 mil, o empreendimento movimentou aproximadamente R$ 8,9 milhões em um período de apenas oito meses.
Um levantamento realizado junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) mostrou ainda que a empresa firmou contratos com dezenas de municípios cearenses e de outros estados do Nordeste entre 2020 e o primeiro semestre de 2026.
No âmbito da Operação Saque a Descoberto, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), com apoio da Polícia Civil, apura a possível participação dos investigados em uma organização criminosa. Em nota, a Prefeitura de Paracuru declarou que a operação não tem relação com o exercício do cargo de secretário municipal nem com atos praticados na administração.
“O processo tramita em segredo de Justiça e, por essa razão, a Prefeitura não possui acesso aos maiores detalhes da investigação. O Município segue acompanhando o caso e aguardando novos desdobramentos por parte das autoridades competentes, permanecendo à disposição para prestar os esclarecimentos que estiverem ao alcance da Administração Municipal”, diz a nota.
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