O ex-prefeito de Nova Russas (a 304km de Fortaleza), Marcos Alberto Torres, tem mais um capítulo de escândalo construído em sua trajetória política. Acusado de cometer atos ilícitos, como falsificar e alterar documentos particulares para fins eleitorais, a Justiça decidiu afastá-lo da Presidência Municipal do PSD. O fato cai como uma bomba no colo do ex-deputado estadual Domingos Filho. Presidente estadual do partido, Domingos tem Marcos Alberto como homem de confiança, no município, o que faz com que o acontecido enfraqueça a figura do ex-deputado estadual em Nova Russas e região.

A determinação de afastamento é fruto de denúncia feita pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), tendo a decisão cravada nesta terça-feira (22/09), pela juíza eleitoral da 48ª Zona, Rafaela Benevides. A relação de Domingos e Marcos Alberto é tão próxima, na seara política, que, mesmo sabendo Alberto não poderia se candidatar às eleições 2020, o presidente estadual do PSD declarou total apoio a Alberto na corrida pela Prefeitura de Nova Russas, conforme matéria veiculada pelo portal “Ceará Notícias”, em fevereiro deste ano.
De acordo com o MP, Marcos Alberto efetuou a filiação partidária de Antônio Paulo Gomes, o “Paulinho da Igreja”, sem o seu consentimento. Ainda de acordo com o MP, Marcos Alberto apresentou ficha de inscrição com assinatura falsa em nome de Antônio Paulo. O órgão chegou a constatar a irregularidade ao verificar outros processos eleitorais de filiação partidária ocorridos nesse ano. Em um processo específico – nº 0600014-13.20202.6.06.0048 – , o órgão também identificou a ausência de consentimento do filiado.
A justiça determinou a aplicação das seguintes medidas cautelares:
- comparecimento mensal em juízo, até o dia 10 de cada mês;
- proibição de ausentar-se do Estado do Ceará, somente podendo fazê-lo com expressa autorização judicial;
- suspensão do exercício da função de presidente e de qualquer outra função executiva do Diretório Municipal do PSD de Nova Russas;
- não envolvimento na prática de novas infrações penais.
O denunciado tem o prazo de dez dias para responder à acusação. O descumprimento das medidas cautelares poderá ensejar na prisão preventiva Marcos Alberto.
PSD
O “A Notícia do Ceará” entrou em contato com a assessoria de imprensa do diretório estadual do PSD-Ceará. Em nota, o partido se isentou, afirmando que não é parte no processo e que ainda não foi notificado da decisão judicial que afastou o presidente do diretório municipal de Nova Russas.
O “A Notícia do Ceará” também entrou em contato com “Paulinho da Igreja”. Por telefone, ele afirmou que mesmo que não tivesse levado o fato ao MP, já era de se esperar essas consequências para Marcos Alberto. “Não é nem que tenha sido eu, não. Como se tratou de uma ação incondicional, o próprio Ministério Público averiguou e chegou a conclusão. Isso ia acontecer”, pontoou.
Histórico
Esta não é a primeira vez em que Marcos Alberto se envolve em polêmicas no âmbito da política. Em 2011, em outro episódio vexatório, o então prefeito de Nova Russas chegou a ser afastado do cargo pela Câmara Municipal e posteriormente preso por determinação do Tribunal de Justiça.
Na época, de acordo com o Ministério Público Estadual, Marcos Alberto Torres liderava um esquema de enriquecimento ilícito que teria chegado a desviar mais de R$ 15 milhões da administração de Nova Russas, durante dois anos e três meses de mandato. Segundo o órgão, o principal foco de corrupção liderado pelo prefeito afastado se referia a repasses de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Veja:
(Imagens registradas pela TV Verdes Mares, em 2011)
Segundo o MPCE, cerca de 8 milhões do FPM teriam sido desviados dos cofres da gestão municipal para contas pessoais do prefeito e de seus familiares. Além do gestor do município, 12 a 21 pessoas ligadas a sua administração tiveram suas prisões decretadas pelo TJ-CE. Vale ressaltar que, em 2016, Marcos Alberto tentou induzir a Justiça ao erro: ciente de que legalmente não teria condições, registrou candidatura a Prefeito de Nova Russas no último pleito. Na época concorrendo pelo próprio PSD, os votos de Alberto não foram computados.


