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O que o evento de Ciro Gomes revelou no Conjunto Ceará?

O lançamento da pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Estado, no último fim de semana, teve vários momentos marcantes.

O primeiro deles foi a transferência simbólica da braçadeira de capitão do time de Wagner (UP) para Ciro. Vale lembrar que, até pouco tempo atrás, os dois trocavam acusações duras no campo político. Agora, a aproximação se consolida publicamente.

Outro momento foi a imagem de Ciro Gomes, Alcides Fernandes (PL) e André Fernandes (PL) de braços erguidos, demonstrando alinhamento político independentemente de qualquer aval da família Bolsonaro, ao menos publicamente.

Na sequência, Ciro fez uma crítica indireta ao senador Cid Gomes (PSB) ao defender Alcides como seu candidato ao Senado. “Quiseram humilhar o pastor, como se o cara não tivesse sido apresentado como irmão do Ciro”, afirmou.

Falando em família, o único irmão presente no evento era Lúcio Gomes, apontado como possível coordenador da campanha. Entre as ausências percebidas, também chamou atenção a do casal Carmelo (PL) e da vereadora mais votada da capital, Priscila Costa (PL). Na política, a ausência também fala.

Na coletiva de imprensa, Ciro voltou a direcionar críticas ao Senador Camilo Santana (PT) e ao governador Elmano de Freitas (PT). Também desenhou uma possível composição de chapa, com Roberto Cláudio como vice e Wagner e Alcides disputando o Senado. Já Cândido Albuquerque aparece sem prioridade dentro do grupo, enquanto Priscila parece cada vez mais carta fora do baralho.

Sobre os palanques, André Fernandes afirmou que o de Flávio Bolsonaro (PL) será o de Alcides que, por sua vez, estará no palanque de Ciro. E segundo Dra. Silvana (PL), Ciro apoiará Flávio em eventual segundo turno. Caso essa engenharia política se mantenha, o cenário poderá reunir Flávio e Ciro no mesmo campo político, algo impensável até pouco tempo atrás.

A aliança também traz um desafio discursivo para Ciro, que historicamente construiu parte de sua retórica em críticas ao bolsonarismo e à corrupção. Dividir espaço político com aliados ligados ao grupo Bolsonaro inevitavelmente deve gerar questionamentos e cobranças sobre coerência. Ao ser perguntando sobre a ligação de Flávio com o Banco Master, Ciro desconversa e diz que está focado no Ceará.

Outro episódio que repercutiu foi a gafe cometida por Ciro durante o discurso, ao mandar prender um homem que fazia o gesto do “C”. Situações semelhantes já causaram desgaste político ao ex-ministro em outros momentos, principalmente pelo seu estilo mais impulsivo.

No conteúdo, o discurso se apoiou na ideia de “libertar o Ceará”, embora sem detalhar exatamente como isso aconteceria.

Já o vídeo publicado por André Fernandes na quinta-feira, em meio à repercussão dos diálogos envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, deixou explícita a lógica da aliança: o PL aposta em Ciro para enfrentar o PT, enquanto Ciro aposta no PL para viabilizar eleitoralmente sua candidatura.

Em caso de vitória nessas eleições será que vamos ver Ciro, André e Flávio cantando “Terral” juntos? 

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