
Em 2023, o salário mínimo será de R$ 1.294 e não terá aumento acima da inflação. O reajuste foi enviado no dia 14 de abril e já consta no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) do ano que vem, enviado ao Congresso Nacional.
Ao “A Notícia do Ceará” o economista Ricardo Cancio Santos afirmou que, apesar do salário mínimo ser muito baixo para o sustento de uma família, é necessário ter cautela:
“O valor do salário mínimo é muito baixo para alimentar uma família com pai, mãe e um filho. (…) É importante que a gente entenda o momento atual que nós estamos vivendo. Estamos vivendo em um momento inflacionário em termos globais. Quando a inflação aumenta, é o maior imposto para o mais pobre.”, afirmou o economista.
De acordo com o Ministério da Economia, cada aumento de R$ 1 no salário mínimo tem impacto de aproximadamente R$ 389,8 milhões no orçamento. Pois os benefícios da Previdência Social, o abono salarial, o seguro-desemprego, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e diversos gastos são atrelados à variação do mínimo.
Segundo Ricardo, “O aumento do salário mínimo tem impacto na inflação. Porque acaba aumentando a demanda, o que vai impactar no valor dos preços também. Isso tem que ser feito com o maior cuidado para que a inflação de demanda (pessoas comprando) não ajude a alimentar uma inflação que já é de oferta (aumento de preços).” completou.
O valor do salário mínimo poderá sofrer alterações no próximo ano, dependendo do valor efetivo do INPC neste ano. Pela legislação, o presidente da República é obrigado a publicar uma medida provisória até o último dia do ano com o valor do piso para o ano seguinte. Para Cancio, o Governo Federal deveria propor programas de auxílio para pessoas necessitadas, e ressaltou que as coisas não se resolvem na base da “canetada”.
“Para o salário mínimo ser viável, no momento que as pessoas são contratadas, as pessoas tem que produzir mais do que isso. Ninguém vai contratar uma pessoa para ganhar menos do que se paga ela. Então, a gente precisa ir na raiz do problema. Não adianta, a gente já tentou (na história do Brasil) na canetada, aumentar o salário mínimo. Eu acredito que isso não funciona de modo sustentável. (…) O governo poderia propor mais programas de auxílio para aquelas pessoas que estão realmente precisando de maiores acesso à informação, capacitação e auxiliá-las a passar por este momento desafiador que nós estamos vivendo. Não só no Brasil, mas em termos globais. Historicamente, os livros de economia não dizem que as coisas se resolvem na caneta. “
Em 2022, o salário mínimo está em R$ 1.212. O aumento representou 10,18% em relação a 2021, um pouco maior que o INPC acumulado de 10,16%.


