A pandemia trouxe vários desafios e, entre eles, está a dificuldade que as vítimas de agressões domésticas têm em denunciar o abuso. Por conta das medidas restritivas, quem sofre as agressões, que podem ser físicas e psicológicas, acaba passando mais tempo com os agressores, impossibilitando o relato para as pessoas de fora.

O tema da violência contra a mulher tem sido pauta durante este período, mas outras pessoas podem ser vítimas do abuso doméstico. Em especial, crianças, idosos e pessoas com deficiências. Na última quinta-feira (15/04), o Senado aprovou penalidades mais duras para quem for acusado de “abandono de incapaz“, além dos crimes de maus-tratos e expor idosos à riscos.
O professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio), Daniel Monnerat, especializado em psiquiatria infantil, explicou que, diferentemente de pacientes adultos, uma criança vítima de violência pode apresentar quadros de depressão e ansiedade. Além de perda de interesse em atividades antes prazerosas e humor deprimido, esses quadros podem ser caracterizados por aumento de irritabilidade, isolamento social, alterações de sono e no apetite.
Monnerat esclareceu que as crianças podem passar a comer mais ou menos, como uma atitude compensatória para suprir a ansiedade, por exemplo, de estarem sofrendo agressões verbais ou físicas. Esses são, segundo o especialista, os principais pontos que devem ser observados.
“A criança pode apresentar, indiretamente, esses sinais ou sintomas, mostrando que é preciso investigar e esclarecer se essas agressões podem estar acontecendo ou não”. Para o professor, quanto mais nova uma criança e mais cedo é vítima de agressão, mais dificuldade, muitas vezes ela tem de verbalizar o que esteja sofrendo. É preciso que pais e responsáveis tenham sensibilidade para entender os sinais e sintomas de uma possível agressão contra os menores.
Pessoas com suspeita de que uma criança está sendo vítima de maus-tratos podem denunciar o caso aos conselhos tutelares, às polícias Civil e Militar, ao Ministério Público e também pelo canal Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
A Notícia do Ceará/Agência Brasil


