A projeção de crescimento da economia brasileira em 2026 foi elevada de 1,6% para 2%, conforme o Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (25/06). A revisão leva em conta o desempenho acima do esperado do PIB no primeiro trimestre e a melhora nas expectativas para setores como agropecuária e indústria.
No início de 2026, a atividade econômica avançou 1,1% em relação ao último trimestre de 2025, com expansão disseminada entre agropecuária, indústria e serviços. Esse resultado contribuiu para a revisão das estimativas de demanda interna, incluindo consumo das famílias e investimentos.
Estímulos de natureza fiscal e creditícia ajudam a sustentar o ritmo de crescimento, embora parte desse impulso seja reduzida pelo nível elevado da taxa de juros, que segue como fator de contenção da economia. Em sua última decisão, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic para 14,25% ao ano, após um período prolongado em 15%, o maior patamar em quase 20 anos. Ainda assim, o cenário externo continua sendo fonte de incerteza, especialmente diante de conflitos geopolíticos que afetam preços de energia e alimentos.

A inflação permanece acima do centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional. O IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,72% em maio e as projeções indicam possibilidade de permanência acima do teto em 2026, com probabilidade estimada em 79%, antes de desaceleração em 2027.
Para o crédito, a expectativa de crescimento do saldo total foi mantida em 9% em 2026, com desaceleração no crédito livre e maior expansão no crédito direcionado, impulsionado por programas públicos e linhas específicas de financiamento. Nas contas externas, o déficit em transações correntes foi revisado para US$ 56 bilhões no próximo ano, influenciado pela melhora no saldo comercial e pelo aumento dos preços de commodities, sobretudo petróleo.
O ambiente econômico, no entanto, segue marcado por riscos elevados, principalmente devido às tensões internacionais. Estas podem afetar tanto a inflação quanto o ritmo de atividade.
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