A inflação oficial do Brasil perdeu força pelo quarto mês consecutivo e fechou junho em 0,16%, o menor índice mensal desde outubro de 2025. O resultado foi influenciado, principalmente, pela queda dos preços dos alimentos, que registraram a primeira deflação desde novembro do ano passado. Os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foram divulgados nesta sexta-feira (10/07) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O índice ficou abaixo da expectativa do mercado financeiro. Segundo o boletim Focus, do Banco Central, a projeção era de uma inflação de 0,32% no mês. Em maio, o IPCA havia alcançado 0,58%. No acumulado do primeiro semestre, a inflação soma 3,36%. Já em 12 meses, o índice chegou a 4,64%, permanecendo acima do teto da meta estabelecida pelo governo, de 4,5%, mas abaixo dos 4,72% registrados até maio.
Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, alimentação e bebidas teve o impacto negativo mais expressivo sobre a inflação. O grupo apresentou recuo de 0,24%, retirando 0,05 ponto percentual do índice geral. Dentro dele, a alimentação no domicílio ficou, em média, 0,39% mais barata, registrando a primeira deflação desde novembro de 2025 e o menor resultado desde agosto do mesmo ano, quando a queda havia sido de 0,83%.

A alimentação consumida fora de casa, por outro lado, teve alta de 0,15%. Os alimentos que mais contribuíram para a redução da inflação em junho foram o café moído (-3,72%), as frutas (-1,58%), as carnes (-0,64%), a emulsão de açaí (-14,41%), o óleo de soja (-2,78%) e o tomate (-2,02%).
De acordo com o analista da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, a redução dos preços dos alimentos reflete uma tendência de acomodação após altas recentes e o aumento da oferta de alguns produtos, como o tomate. Apesar da desaceleração dos alimentos, o grupo habitação exerceu a maior pressão de alta sobre o IPCA. O segmento avançou 0,63%, impulsionado principalmente pela energia elétrica residencial, que subiu 1,53%.
Segundo o IBGE, o aumento foi provocado pela manutenção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, além de reajustes nas tarifas de energia em Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Como o IPCA é um índice nacional, essas variações regionais são incorporadas ao cálculo da inflação do país.
No grupo dos transportes, o destaque de alta ficou com as passagens aéreas, que ficaram 7,12% mais caras. Em contrapartida, os combustíveis apresentaram queda média de 0,48%, puxada pelo recuo nos preços do etanol (-3,09%), do óleo diesel (-1,19%), do gás veicular (-0,19%) e da gasolina (-0,12%).
Entre os demais grupos pesquisados, habitação teve a maior variação (0,63%), seguida por despesas pessoais (0,25%), saúde e cuidados pessoais (0,23%), artigos de residência (0,23%), comunicação (0,19%), vestuário (0,17%) e transportes (0,17%). Educação foi o único outro grupo com resultado negativo, de -0,02%.
O índice de difusão da inflação, que mede a proporção de produtos e serviços com aumento de preços, ficou em 54% em junho. Isso significa que pouco mais da metade dos 377 itens pesquisados apresentou alta. O resultado é o menor desde outubro de 2025, quando o indicador havia atingido 52%.
Ao detalhar os componentes do índice, o IBGE informou que os preços de serviços avançaram 0,34% em junho, abaixo dos 0,40% registrados no mês anterior. Já os preços monitorados, que incluem itens como combustíveis e tarifas públicas, tiveram alta de 0,29%, também inferior à observada em maio (0,43%).
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