A hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta, é uma doença crônica caracterizada pelo aumento da pressão do sangue nas artérias, o que sobrecarrega o coração e pode provocar uma série de complicações. Embora não tenha cura, a condição pode ser controlada com tratamento adequado e mudanças no estilo de vida.
Quando não tratada corretamente, a hipertensão se torna um dos principais fatores de risco para doenças graves, como Acidente Vascular Cerebral (AVC), infarto, aneurisma, além de insuficiências renal e cardíaca. Para orientar a população, a cardiologista Giselle Barroso, do Centro Integrado de Diabetes e Hipertensão (CIDH), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), elencou os erros mais comuns cometidos por pacientes durante o tratamento.
Entre os equívocos mais frequentes está o uso incorreto da medicação. Segundo a especialista, muitos pacientes interrompem ou ajustam o tratamento por conta própria ao perceberem melhora nos sintomas. Outro problema recorrente é o abandono do tratamento devido a efeitos colaterais.

Nesses casos, a recomendação é buscar orientação profissional antes de qualquer decisão. Ajustes de dose ou a troca do medicamento podem resolver a situação sem prejuízo ao controle da doença. “O importante é que se converse com o médico sobre o motivo de ter parado o medicamento, para que seja ajustada a dose ou mesmo trocado o medicamento”, explica.
A alimentação também tem papel central no tratamento, mas costuma ser negligenciada. O consumo excessivo de sal, especialmente por meio de alimentos ultraprocessados e embutidos, é um dos principais vilões. A orientação é reduzir o uso de temperos prontos e priorizar alimentos naturais.
A falta de adesão a mudanças no estilo de vida completa a lista de erros mais críticos. Sedentarismo, consumo de álcool, tabagismo, estresse e ganho de peso são fatores diretamente associados ao agravamento da hipertensão.
Outro ponto de atenção é a ausência de monitoramento regular da pressão arterial. Medir apenas durante consultas médicas não é suficiente. O ideal é acompanhar os níveis em casa, registrando horários e valores, além de realizar exames complementares, como a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA), quando indicado.

Faltar às consultas médicas também compromete o tratamento. O acompanhamento contínuo permite ajustes necessários ao longo do tempo e melhora o controle da doença. Além disso, a especialista destaca a importância da comunicação entre paciente e equipe de saúde.
“A comunicação entre paciente e profissional de saúde (enfermeiro, médico, fisioterapeuta) sobre as dificuldades reais do dia a dia ajuda a garantir o sucesso do tratamento”, destaca.
O uso de substâncias que elevam a pressão arterial é outro fator de risco. Entre elas estão corticoides, anti-inflamatórios, descongestionantes nasais, cafeína em excesso, cigarro e drogas ilícitas. Um erro comum, segundo a cardiologista, é acreditar que a ausência de sintomas significa que está tudo bem. A hipertensão é, na maioria das vezes, silenciosa e pode evoluir sem sinais evidentes.
Por fim, adiar o início ou a continuidade do tratamento é uma atitude que compromete o controle da doença. “O maior problema do tratamento da hipertensão não é a falta do remédio, o remédio existe. O problema maior é a falta da adesão ao tratamento. Uma vez que existe a adesão, a hipertensão se torna uma condição de fácil tratamento e fácil ajuste”, pontua.
Diante desse cenário, a recomendação é adotar medidas preventivas e manter acompanhamento regular com profissionais de saúde. Entre as principais orientações estão:
- Reduzir o consumo de sal;
- Manter o peso adequado;
- Praticar pelo menos 150 minutos semanais de atividade física;
- Priorizar uma alimentação saudável rica em frutas, verduras e alimentos com potássio;
- Moderar o consumo de álcool e não fumar;
- Garantir um sono de qualidade;
- Controlar o estresse;
- Evitar substâncias que elevem a pressão e monitorar regularmente os níveis de pressão arterial.
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