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Rio Jaguaribe tem redução de 76% na vazão após operação do Castanhão, aponta estudo

Uma pesquisa sobre as transformações do rio Jaguaribe, no Ceará, identificou erosão de até sete metros por ano em determinados trechos. O fenômeno é mais intenso em áreas com margens arenosas e pouca vegetação ciliar. O levantamento analisou as mudanças no curso fluvial entre 1958 e 2025, incluindo alterações observadas após o início da operação do Açude Castanhão, em 2002. 

Publicado na revista científica internacional Earth Surface Processes and Landforms, o estudo foi desenvolvido pelos professores Andrea Almeida Cavalcante e Davi Rodrigues Rabelo, do curso de Geografia da Universidade Estadual do Ceará (Uece), em parceria com Marcos de Brito Bezerra. Para investigar a evolução do rio, os pesquisadores utilizaram fotografias aéreas históricas, imagens de satélite, levantamentos de campo e dados hidrológicos e sedimentológicos. 

Rio Jaguaribe tem redução de 76% na vazão após operação do Castanhão, aponta estudo
Foto: Divulgação

Os dados apontam uma redução de aproximadamente 76% na vazão média diária do Jaguaribe e de cerca de 41% na concentração de sedimentos em suspensão após o início da operação do Castanhão. Como consequência dessas mudanças, o transporte de sedimentos diminuiu mais de 50%, favorecendo a estabilização de bancos de areia e o avanço da vegetação em áreas de deposição. Ainda assim, processos erosivos e alterações localizadas no canal continuam ocorrendo. 

A intensidade da erosão varia conforme as características de cada trecho do rio. Nas áreas monitoradas com margens arenosas e pouca cobertura vegetal, o recuo lateral chegou a sete metros por ano. Em contrapartida, os setores com vegetação mais densa apresentaram menor suscetibilidade ao desgaste. Segundo o professor Davi Rabelo, outros fatores também influenciam essa dinâmica, como os rios tributários, as passagens molhadas, o uso da terra e as características geomorfológicas locais. 

Com aproximadamente 74 mil km², a bacia hidrográfica do Jaguaribe ocupa cerca de metade do território cearense e constitui a principal fonte de recursos hídricos superficiais do estado. Nesse cenário, os resultados podem contribuir para o planejamento ambiental, a gestão dos recursos hídricos, a conservação da vegetação ciliar e o controle da erosão, além de ampliar o conhecimento sobre os efeitos de barragens em rios de regiões semiáridas. 

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