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Salário maior e emprego estável são prioridades para brasileiros, diz CNI

Brasileiros seguem priorizando salários mais altos, estabilidade no emprego e oportunidades de crescimento profissional ao planejar a carreira para os próximos anos. É o que aponta a 69ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: Futuro Profissional, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O levantamento investigou quais fatores os trabalhadores consideram mais relevantes para a ocupação que pretendem exercer nos próximos cinco anos. O salário aparece como o principal diferencial para 28,7% dos entrevistados, seguido pela estabilidade no emprego (22,4%) e pelas perspectivas de ascensão profissional (20,1%).

Benefícios relacionados à flexibilidade também foram mencionados, mas em menor proporção. A possibilidade de horários flexíveis foi citada por 19,3% dos participantes, enquanto o trabalho remoto foi apontado por 15,9%. Já a jornada reduzida foi considerada prioridade para 9,8% dos entrevistados.

Salário maior e emprego estável são prioridades para brasileiros, diz CNI
Foto: Reprodução

Segundo a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Claudia Perdigão, aspectos tradicionalmente ligados à segurança profissional continuam influenciando as decisões de carreira dos brasileiros. “Apesar do crescimento da discussão sobre benefícios não pecuniários, como home office e teletrabalho, os elementos mais tradicionais continuam sendo valorizados e orientando o trabalhador na consolidação de seus planos de carreira a médio e longo prazo”, afirma.

A pesquisa também mapeou os principais obstáculos enfrentados por quem busca alcançar a profissão desejada. A necessidade de cuidar de familiares lidera a lista, sendo mencionada por 16,1% dos entrevistados. Em seguida aparecem a falta de formação ou qualificação exigida pelo mercado (12,7%), a escassez de informações sobre vagas disponíveis (11,9%) e a discriminação por parte dos empregadores (8,3%).

De acordo com Claudia, essas dificuldades acabam ampliando a sensação de insegurança em relação ao futuro profissional. “Esses elementos fazem com que o trabalhador tenha dúvidas sobre a concretização de seus sonhos e aspirações, o que acaba levando o trabalhador a se ver em uma situação de incerteza, quando pensa no médio e longo prazo”, ressalta.

Salário maior e emprego estável são prioridades para brasileiros, diz CNI
Foto: Reprodução

Os dados mostram ainda que 43% dos brasileiros não conseguem projetar em qual profissão estarão atuando daqui a cinco anos. O cenário de incerteza é mais evidente entre trabalhadores de faixas etárias mais elevadas. Para a especialista da CNI, as rápidas transformações tecnológicas, especialmente o avanço da inteligência artificial, ajudam a explicar essa dificuldade de planejamento.

Entre aqueles que conseguem visualizar o futuro profissional, 13,9% afirmaram que pretendem abrir o próprio negócio. Os setores mais citados foram comércio varejista e atividades de serviços, incluindo salões de beleza, bares e restaurantes.

O estudo integra uma série de três pesquisas realizadas pela CNI para analisar a percepção dos brasileiros sobre a situação profissional atual, a capacidade de adaptação às mudanças no mercado de trabalho e as expectativas para os próximos anos.

Os levantamentos também mostram que o emprego formal segue sendo a modalidade preferida entre os trabalhadores. Mais de um terço dos ocupados que procuraram emprego no mês anterior à pesquisa apontaram o trabalho com carteira assinada como a opção mais atrativa.

A preferência é ainda maior entre pessoas de 25 a 34 anos, grupo em que 41,4% dos entrevistados indicaram a contratação pela CLT como o modelo desejado. Para Claudia Perdigão, os resultados demonstram que os benefícios associados ao vínculo formal continuam sendo valorizados mesmo diante da expansão de novas formas de trabalho.

Salário maior e emprego estável são prioridades para brasileiros, diz CNI
Foto: Freepik

Em relação às competências tecnológicas, a pesquisa identificou que 54% dos brasileiros possuem nível alto ou médio-alto de habilidades digitais. No entanto, quando são consideradas capacidades mais avançadas, como uso de inteligência artificial, planilhas eletrônicas e configuração de programas e aplicativos, o percentual cai para 44,5%.

Na avaliação da economista, os resultados revelam um mercado de trabalho marcado por contrastes entre satisfação profissional e incertezas provocadas pelas transformações tecnológicas. “Os resultados revelam um cenário marcado por contrastes: de um lado, trabalhadores satisfeitos com suas ocupações e pouco dispostos a mudar de emprego; de outro, um ambiente de rápidas mudanças tecnológicas que gera incertezas sobre os próximos passos da trajetória profissional”, conclui.

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