A violência patrimonial contra pessoas idosas segue em alta no Brasil. Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos apontam que 59.134 denúncias desse tipo de crime foram registradas ao longo de 2025 por meio do Disque 100.
Segundo o levantamento, as mulheres representam 66% das vítimas, evidenciando o recorte de gênero associado à violência patrimonial. O avanço dos golpes digitais e a baixa inclusão tecnológica entre idosos são apontados como fatores que ampliam a vulnerabilidade desse público.

De acordo com o juiz Jorge Cruz, criminosos costumam direcionar golpes a grupos mais vulneráveis, cenário agravado pelas mudanças tecnológicas. “Muitas pessoas idosas não estavam preparadas para esse avanço, algumas sem nenhum letramento digital, o que as torna especialmente suscetíveis à ação de golpistas”, explica o magistrado.
O juiz também destaca que fatores como baixa escolaridade e ausência de rede de apoio familiar aumentam os riscos. “Pessoas com menor grau de instrução enfrentam dificuldades adicionais e aquelas sem rede de apoio familiar ficam ainda mais expostas. Em alguns casos, a pessoa idosa é arrimo de família e pode, inclusive, ser vítima da própria família”, afirma.
No Ceará, o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará tem discutido medidas preventivas para reduzir fraudes contra idosos. Recentemente, a Comissão de Defesa e Proteção da Pessoa Idosa promoveu uma audiência pública para debater a criação de um protocolo voltado à prevenção de golpes envolvendo serviços de cartórios extrajudiciais.
O documento prevê mecanismos para identificar situações de risco e comunicar órgãos competentes. Para Jorge Cruz, iniciativas integradas entre instituições podem ajudar a prevenir danos financeiros à população idosa. “Qualquer alteração legislativa que permita a identificação antecipada de situações de risco e faça essas informações chegarem às instâncias competentes tende a ser positiva, dependendo, sobretudo, da forma como a lei vier a ser implementada”, pondera.
O tema também avança no Congresso Nacional, com propostas voltadas à criação de redes de proteção contra golpes e abusos financeiros praticados contra idosos.


