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Violência política preocupa 6 em cada 10 brasileiros, mostra levantamento

A cinco meses das próximas eleições, seis em cada dez brasileiros afirmam temer sofrer agressões físicas em razão de suas posições políticas ou partidárias. O dado consta em pesquisa encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública ao Datafolha e revela que o nível de preocupação com a violência política permanece elevado no país.

Segundo o levantamento, 60% dos entrevistados disseram ter medo de serem agredidos por suas escolhas políticas. Em 2022, durante a última eleição presidencial, esse percentual era de 68%, o que indica uma redução pouco significativa no intervalo de quatro anos.

No relatório, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública destaca que a percepção de insegurança continua alta mesmo após um período marcado por forte polarização. A entidade relembra que o pleito de 2022 foi caracterizado por episódios de violência política, discursos de confronto e questionamentos sobre o processo eleitoral, fatores que contribuíram para ampliar a sensação de risco entre os eleitores.

Violência política preocupa 6 em cada 10 brasileiros, mostra levantamento
Foto: Reprodução

A pesquisa também identificou que 2,2% dos entrevistados relataram ter sido vítimas de violência política nos últimos 12 meses. Com base nesse percentual e considerando a margem de erro, a estimativa é de que entre 2,6 milhões e 4,7 milhões de brasileiros tenham enfrentado esse tipo de situação no período de um ano.

O receio de agressões é mais frequente entre as mulheres, grupo no qual o índice chega a 65%. Entre os homens, o percentual é de 53%. A preocupação também é mais elevada nas classes D e E, com 64%, acima do registrado na classe C, com 59%, e entre os integrantes das classes A e B, com 55%.

Outro dado apontado no estudo relaciona o medo da violência política à atuação do crime organizado. Entre os 41% dos entrevistados que afirmaram conviver com a presença de facções ligadas ao tráfico de drogas e milícias em seus bairros, 59% disseram evitar manifestações políticas para não contrariar esses grupos e sofrer represálias.

Ao comentar os resultados, o presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professor da Fundação Getúlio Vargas, Renato Sérgio de Lima, afirmou que o tema se tornou um tabu em diversas comunidades. Segundo ele, facções criminosas e milícias têm buscado influenciar resultados eleitorais, em um processo que classificou como expressão da chamada “governança criminal”.

Metodologia

O levantamento foi realizado por meio de entrevistas presenciais com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais, em 137 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

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