Sob comando do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), a Operação Cibus foi deflagrada nesta quinta-feira (21/03). A ação resultou no cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão em residências de empresários e de um policial penal, bem como nas sedes das empresas envolvidas.
Os mandados, expedidos pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas, foram executados simultaneamente em endereços localizados nos municípios de Fortaleza, Eusébio e Crato. A operação contou com a colaboração de equipes da Polícia Civil e do Ministério Público. Os materiais apreendidos serão fundamentais para instruir o procedimento investigatório criminal em curso.

A Operação Cibus é fruto de uma investigação iniciada pelo Gaeco em 2019, após receber informações sobre operações financeiras suspeitas. O objetivo principal é apurar a existência de uma possível organização criminosa envolvendo empresas e empresários do ramo alimentício, além de um servidor público estadual e pessoas interpostas agindo como “laranjas”. As atividades dessa suposta organização estariam voltadas para a prática de crimes licitatórios, desvio de recursos públicos e lavagem de capitais.
As empresas investigadas, sediadas em Fortaleza e Crato, mantinham contratos com o Estado do Ceará. O intuito era o fornecimento de alimentos a órgãos ligados a diversas Secretarias Estaduais, principalmente nas áreas de Administração Penitenciária, Educação e Saúde. Após a concessão de medidas cautelares contra os envolvidos, constatou-se que as empresas licitantes e seus sócios movimentaram valores que totalizavam cerca de R$ 200 milhões. Dessa quantia, parte foi transferida para contas bancárias de uma empresa de pequeno porte, com capital social e faturamento mensal desproporcional aos valores movimentados.
Além disso, foi identificada uma alternância frequente das empresas em licitações de fornecimento de alimentos ao Estado, levantando suspeitas de direcionamento e favorecimento nos procedimentos, seja através de cláusulas limitadoras da competição, seja pela dispensa indevida ou fabricação de situações emergenciais.
Durante a investigação, também foi constatado que as grandes empresas envolvidas, pertencentes ao mesmo grupo familiar, fraudavam a execução dos contratos, fornecendo produtos em quantidade inferior ou inadequada. Inclusive, alimentos estragados eram distribuídos, possivelmente em conluio com o agente penitenciário responsável por uma das empresas de menor porte e outros colaboradores.


