A possibilidade de o Brasil aplicar a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos foi mencionada pelo presidente Lula (PT), nessa segunda-feira (21/09), caso as negociações sobre as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump não resultem em um acordo. Apesar disso, o presidente afirmou que pretende aguardar o avanço das tratativas antes de adotar qualquer medida comercial.
“Enquanto estamos na mesa de negociação, eu não tenho que aplicar a Lei da Reciprocidade. Tenho que ser mais paciente, mas é importante saber que, se não tiver acordo, teremos que aplicar a Lei da Reciprocidade”, declarou.
Em julho deste ano, os Estados Unidos impuseram tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, com sobretaxas que chegam a 37,5% em determinados itens. A retomada do diálogo ocorreu no fim de agosto, quando Lula e Trump conversaram por telefone, no primeiro contato entre os dois desde a aplicação das medidas.

Na sequência, o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, participaram de uma reunião virtual para discutir as relações comerciais entre os países.
Para dar continuidade às negociações, Elias Rosa viajará na próxima semana para Milwaukee, em Wisconsin, acompanhado do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Os dois participarão de uma reunião do G20 e devem aproveitar a viagem para se encontrar presencialmente com Greer. A agenda ocorre enquanto o governo brasileiro avalia os próximos passos diante das tarifas adotadas por Washington.
Durante a entrevista, Lula também criticou a condução da política externa e comercial dos Estados Unidos e afirmou que Trump “age como um imperador”. O presidente brasileiro contestou ainda os argumentos usados pelo governo norte-americano para justificar as tarifas, classificando as medidas como “baseadas em mentiras”. Segundo ele, as exportações brasileiras para os EUA caíram 9% após a adoção das tarifas, enquanto as importações de produtos norte-americanos recuaram 8%.
Em Nova York para participar da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Lula também afirmou que Trump não tem o direito de interferir nas decisões de outros países. O presidente disse que o Brasil buscará novos parceiros comerciais diante das dificuldades nas relações com os Estados Unidos.
“Eu não vou chorar pelo leite derramado. Vou procurar outros para comprar e vender”, afirmou. Em outro momento, defendeu que as relações entre os países sejam baseadas em negociação e respeito mútuo.
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