Um novo relatório nacional aponta que os abrigos de animais no Brasil enfrentam uma pressão crescente e operam em situação de desequilíbrio constante, com mais entradas do que saídas de cães e gatos ao longo de 2025. O levantamento reforça a necessidade de políticas públicas estruturadas e baseadas em dados para enfrentar o abandono de animais no país.
O estudo, intitulado Relatório de Transparência dos Dados de Abrigos de Animais – Análise 2025, foi divulgado pela iniciativa Medicina de Abrigos Brasil – Infodados de Abrigos de Animais e reúne, pela primeira vez em escala nacional, informações contínuas sobre a dinâmica populacional de cães e gatos acolhidos em abrigos e lares temporários.
Segundo os dados, foram registradas 4.349 entradas de animais ao longo de 2025, enquanto 3.139 saídas ocorreram no mesmo período, incluindo adoções, mortes naturais e eutanásias. O resultado é um saldo positivo de 1.092 animais, o que evidencia o acúmulo progressivo nos abrigos e a pressão sobre a capacidade de acolhimento.
Na prática, para cada animal que deixa os abrigos, 1,35 novos entram, o que mantém o sistema em constante sobrecarga, mesmo com o aumento no número de adoções.
O levantamento também mostra crescimento nas atividades dos abrigos, com 295 instituições ativas cadastradas em 2025, sendo 96 delas novas no período. Ainda assim, o avanço não tem sido suficiente para equilibrar o fluxo de entrada e saída dos animais.
O relatório destaca ainda o papel central da sociedade civil na proteção animal no Brasil. A maior parte dos abrigos e iniciativas mapeadas é formada por organizações independentes e protetores voluntários, enquanto a participação do poder público ainda é considerada limitada diante da demanda existente.
A ausência histórica de estatísticas oficiais consolidadas sobre abandono e acolhimento de animais é apontada como um dos principais desafios para a formulação de políticas públicas mais eficazes. A iniciativa responsável pelo relatório defende a criação de uma base nacional estruturada de dados, capaz de orientar decisões e monitorar resultados.
Para os próximos anos, a proposta é ampliar a participação de abrigos públicos e regiões ainda pouco representadas no levantamento, com a expectativa de consolidar um sistema nacional de monitoramento da população de animais em abrigos no Brasil.


