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Apesar de deslizes, Indiana Jones 5 brilha e diverte (Crítica)

Considerado um dos personagens mais icônicos da cultura pop, Indiana Jones vive sua aventura derradeira em uma história contada pelo cineasta em voga, James Mangold (Logan).

Todo filme de Indiana Jones que se preze tem que ter uma abertura icônica, onde o nosso protagonista vai ao limite do impossível para escapar de uma perseguição. O quinto título da franquia segue bem a cartilha, colocando o personagem de Harrison Ford (Star Wars) a enfrentar os seus maiores inimigos, os nazistas, em uma sequência de cenas que devem mexer o coração dos fãs, uma vez que ver o ator jovem novamente se torna algo tão incrível quanto todas as suas aventuras.

Após uma abertura de encher os olhos, vemos Indy mais velho entrando na sua aposentadoria como professor. A partir desse momento, é mostrado que o protagonista possui um peso maior sobre si, não só por consequências de aventuras passadas, mas também por tragédias que o lendário aventureiro não está conseguindo lidar. Por meio de tudo isso, há mais uma ótima interpretação de Harrison Ford como o personagem, trazendo menos brutalidade e mais experiência a uma história de despedida. 

Phoebe Waller Bridge (Fleabag), que vive a afilhada do protagonista, entra na narrativa trazendo as cenas de ação para versão mais velha de Indiana Jones, que, apesar de boas, não possui o mesmo charme e capricho dos três primeiros filmes de Spielberg. No entanto, a direção Mangold consegue deixá-la verídica, ao contrário do longa anterior, que utiliza desnecessariamente um excesso de computação gráfica. Já este quinto título da franquia sabe utilizar muito bem esse recurso, ainda que os cenários em cgi não se equiparem às locações reais dos filmes originais.

Mas aprofundando sobre Bridge, a atriz é um verdadeiro acerto para a franquia, que combina muito bem com o humor cínico que é uma marca registrada dos filmes de Indiana Jones. Além do mais, a personagem da mesma é muito bem utilizada na narrativa, que ao invés de servir como aquela que assumirá o futuro da franquia, algo que acontece com Shia LaBeouf em O Reino da Caveira de Cristal, a artista é aquela que traz Indy para sua última aventura e o faz refletir sobre toda sua vida.

Aliás, o último filme de Indiana Jones não poderia ser uma aventura isolada que não se comunica com os longas anteriores, algo feito nos três primeiros títulos da franquia. Sabendo disso, o roteiro de A Relíquia Do Destino tenta fazer narrativa, onde Indy reflete tudo sobre seu passado, o seu jeito icônico de ser. Porém, isso por muitas vezes se perde, pois a jornada em torno da Anticítera de Arquimedes por muitos momentos chama mais atenção que a reflexão e a retrospectiva em torno do personagem principal.

Já o vilão interpretado por Mads Mikkelsen (Hannibal) é extremamente acertado, não só pelo bom trabalho ator dinamarquês, mas também por ser como um antagonista clássico da franquia, um nazista que busca algum objeto místico para suas intenções erradas. Além disso, ele talvez seja o único vilão de todos os filmes que se aprofunda nas ideias grotescas que defende, fora o bom contexto histórico em torno do seu trabalho com o governo dos Estados Unidos.

Por fim, apesar de estar abaixo dos filmes dirigidos por Steven Spielberg (Jurassic Park), Indiana Jones e a Relíquia do Destino é uma boa aventura após a grande decepção de O Reino da Caveira de Cristal. Além do mais, o projeto é por alguns momentos uma grande homenagem a um personagem tão icônico, mesmo que não se misture tão bem ao restante da narrativa. Também há um grande trabalho do elenco e da direção, que produzem momentos dignos para o último título da franquia.

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