Dirigido pelo porto-riquenho Angel Manuel Soto (La Granja), Besouro Azul consegue ir além de um projeto para introduzir um novo personagem da DC no cinema. Estrelado por Xolo Maridueña (Cobra Kai) e Bruna Marquezine (Deus Salve O Rei) o filme é praticamente um recado da comunidade latina aos estadunidenses.
Focado na terceira versão do herói, acompanhamos durante a narrativa Jaime Reyes, um jovem de ascendência mexicana tentando fazer com que sua família melhore sua condição financeira, para não perderem sua casa ou até sejam deportados. Com a ajuda de Jenny, o protagonista busca um emprego nas Indústrias Kord, empresa de tecnologia que afirma buscar uma melhora na vida de todos na cidade de Palmera City, mas não faz o mesmo nos bairros periféricos de latinos.
Durante tudo isso, Jaime acaba recebendo de Jenny o Escaravelho, artefato alienígena que lhe escolhe como hospedeiro. Isso faz com que o personagem se torne o novo Besouro Azul, onde nos entrega uma ótima transformação, através de muitos elementos de possessão e ficção-científica. Além disso, apesar de muito criticado nos trailers, o uniforme do herói é um grande ponto no filme, sendo bastante fiel as HQs, bem utilizado nas cenas de ação e com cgi acima da média.
Contudo, apesar do grande acerto no uniforme do protagonista, a direção de arte comandada por Jon Billington (Bad Boys Para Sempre) não acerta em outros pontos. Isso principalmente no núcleo dos vilões, no qual o personagem vivido por Raoul Max Trujillo (Riddick 3) possui dois uniformes nada carismáticos e design pouco inspirado, fora os capangas, que parecem usar roupas de baixo orçamento. Isso dá a impressão que boa parte do budget para o setor foi majoritariamente focado no herói.
A fotografia de Pawel Pogorzelski (Anônimo) e a direção de Soto são pontos de destaque no projeto. As cenas de ação são bem filmadas e coreografas, fora uma boa criatividade para as diversas armas que o Escaravelho pode criar. Porém, um detalhe negativo neste tópico é o uso excessivo de tons de azul e roxo em cenários e objetos, onde chegou a ser brega em vários momentos.

Porém, o grande brilho de Besouro Azul é a sua mensagem, visto que muitos filmes do gênero são vazios, este tem algo muito importante para contar. Sendo isso toda a xenofobia, racismo e imperialismo que os Estados Unidos têm sobre a América Latina e seus habitantes.
No final das contas, o novo filme da Warner Bros não é apenas sobre um super-herói, mas também é sobre o país, que se diz a nação da liberdade, mas, na verdade, é o que menos se importa com seus vizinhos latinos. Isso o filme escancara, de maneira bem humorada, através da família Jaime, que apesar de serem felizes, sempre precisam matar um leão por dia para viverem. Tudo isso, não só por serem pobres, mas sim pelo fato da população branca dos Estados Unidos sempre buscarem afastá-los, sejam boas oportunidades de empregos ou de desenvolvimento humano.
A história escrita por Gareth Dunnet-Alcocer (Missa Bala) é uma carta do que é ser latino em um país lhe odeia. Apesar de bem-humorado, o tom do filme é por muitas vezes tragicômico. O roteiro expõe como os estadunidenses não sabem acolher a população hispânica, ao ponto dos mesmos sempre temerem chegar perto de autoridades locais, nunca almejarem melhores estudos ou empregos, e serem vistos de maneira estereotipada, mesmo que seja por meio de seus nomes.
Além disso, o roteiro faz o básico para o projeto, com Jaime tentando se entender e se aceitar com o escaravelho, e Jenny buscando honrar a empresa de sua família. Contudo, penso que não acerta no romance destes dois personagens, visto que não é algo bem desenvolvido, fora muitas conveniências e o passado revolucionário da Vovó Reyes (Adriana Barraza), que me pareceu exagerado demais.

As duas grandes atuações do filme vão para os principais nomes, Bruna Marquezine, fazendo sua estreia em Hollywood, onde, mesmo com uma atuação meio novelesca, consegue fazer um bom trabalho. Fora Xolo Maridueña, que exala carisma e presença de tela, mostrando que merece ter mais trabalhos além das séries, sendo totalmente capaz de ser também um astro de cinema.
Por fim, Besouro Azul é provavelmente o projeto mais divertido da DC no ano, fora aquele com mais coração. Apesar de equívocos em detalhes técnicos e narrativos, o projeto se faz valer, e merece receber a atenção de Gunn e Safran para o futuro do DCU.
Nota: 8,5/10


