
Eis que o que mais se temia para o Ceará aconteceu. A derrota por 2 a 1 para o Internacional em jogo válido pela 34ª rodada, no Beira-Rio, na última quara-feira (26) marcou a entrada da equipe na zona de rebaixamento graças à vitória do Cuiabá diante do Avaí. Com a mesma pontuação do adversário mato-grossense o Vozão tem duas vitórias a menos, com isso, não escapou da zona de rebaixamento.
Agora, na 35ª rodada, o adversário é o Fluminense, com jogo sem torcida, e a responsabilidade de vencer o Tricolor das Laranjeiras que está na briga por fase de grupos da Libertadores e venceu o Corinthians na última rodada. O jogo é neste segunda (31).
Somado a isso, mais uma mudança no comando técnico do Ceará com a efetivação do técnico das categorias de base, Juca Antonello e a contratação de Paulo César Gusmão para ser o coordenador técnico do Ceará.

Jogadores estão buscando o incentivo para se livrar do rebaixamento. A nova comissão técnica vai precisar motivar os atletas que não vão contar mais com torcida para os próximos quatro jogos: Fluminense (em casa), Corinthians e Avaí (fora) e Juventude em casa. Na copa do Nordeste de 2023, o Ceará ainda vai fazer quatro jogos sem torcida em casa na Copa do Nordeste de 2023 pelos episódios contra o Cuiabá, já impostos pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e ainda vai desembolsar R$ 100 mil de multa.
Há poucas esperanças para o Ceará e a pior delas é o desempenho do time e erros repetidos ao longo da temporada que nunca foram corrigidos. Aqui, a coluna reproduz o comentário de Nilo Facundo, da Rede ANC sobre o assunto: “O Ceará tem problemas técnicos e táticos de fácil identificação e difícil solução. (Com atual elenco,incluindo a comissão técnica). Fruto de decisões erradas tomadas no meio de uma competição tão difícil com a série A. Difícil acreditar que em 33 partidas ganhou apenas 6, em 5 partidas restantes, terá que fazer 10 pontos para não depender de ninguém. O ano de 2022 pode terminar como desastroso para o Ceará se o time não conseguir permanecer na Série A”.
A luta do Ceará agora é contra o rebaixamento. Se conseguir, deve ser comemorada, mas, para 2023, muita coisa em Porangabussu precisa mudar. Resta saber se existe esta consciência por parte do comando maior do Alvinegro e se o Conselho Deliberativo vai tomar providências neste sentido.
Sucessão de erros fora de campo
Os sinais de que algo estava errado na condução do futebol fora de campo começaram a aparecer quando da eliminação para o Iguatu no Campeonato Cearense. Em coletiva, os dirigentes consideraram aquilo como um episódio isolado, que acreditavam na força do elenco e que seria superado.

E chegam contratações supostamente de peso: Dentinho e Matheus Peixoto. Não rederam a temporada inteira.
Eis que veio a eliminação na Copa do Nordeste. Para um adversário tecnicamente mais fraco, talvez, mas com tradição da Região, o CRB, que não costuma dar moleza ao Ceará e já aprontou. Camisas equilibradas dentro da Região, sim, mas a partida foi contra um adversário perfeitamente possível de ser batido, ainda mais com o apoio da torcida.
Sai Tiago Nunes entra Dorival Júnior e o desafio do Ceará é o início da Copa Sul-Americana, onde o Vozão impressiona. Vence o favorito do seu grupo, o Independiente da Argentina, o Rei das Copas.
O início Brasileiro começa, o Ceará alterna altos e baixos. Chega à zona de rebaixamento no começo da temporada, mas aos poucos Dorival Júnior vai acertando o time que entra em uma briga no meio da tabela.
Dorival Júnior classifica o Ceará para as oitavas da Sul-Americana com 100% de aproveitamento na fase de grupos. Com o mesmo aproveitamento até a terceira fase da Copa do Brasil e classificado para as oitavas de final da competição, eis que chega uma proposta para o treinador deixar Porangabussu e ir a Gávea.
Ceará, até então em 13º na Série A, traz Marquinhos Santos, com a sequência da Série A pela frente e com decisões importantes pela frente. Na Sul-Americana e na Copa do Brasil.
Na transição de Dorival para Marquinhos Santos, Juca Antonello comanda o Ceará contra o Goiás, em partida fora de casa. A equipe mantém o mesmo padrão de jogo e consegue importante empate fora de casa em uma partida contestada pela arbitragem (Ceará teve um pênalti a seu favor não marcado nem checado), mas ali o que importava é que o time mantinha o padrão de jogo definido por Dorival Júnior.
Na Sula, o Ceará consegue avançar, vencendo duas vezes o The Strongest, da Bolívia. Mas na Copa do Brasil cai diante do Fortaleza, que inicia uma campanha de recuperação na Série A.
Os resultados continuaram sem aparecer na Série A, e a torcida fica na bronca com o treinador.
Eis que mais uma decisão vem pela frente: as quartas de final da Sul-Americana, contra o São Paulo. Derrota no primeiro jogo, vitória nos 90 minutos na volta e eliminação nos pênaltis. Vina é cobrado pelo torcedor e precisa ser contido. Agora, só restava ao Ceará o Brasileiro pela frente.
Marquinhos Santos sai, Lucho Gonzalez é contratado junto com mais uma esperança de recuperação: o atacante Jô. Na estreia empate com o Flamengo no Maracanã seguida de uma vitória contra o Santos em casa. Sinais de que haveria ali uma recuperação: ledo engano.
E a chegada do Ceará à zona de rebaixamento, perdendo pontos para adversários diretos afastou a torcida do time no momento que ele mais precisa.
Juca Antonello conhece o elenco. Sabe as peças que tem, onde pode mexer. Resta saber se os atletas vão garantir a entrega que o Ceará precisa neste momento. A derrota para o Fluminense pode representar uma queda maior na tabela para posições mais baixas e não dá para negar que o Flu é favorito diante de um Ceará combalido desde o início da temporada.


