PUBLICIDADE

Ceará registra chuvas fortes e já enfrenta consequências

 

Entre os dias 24 e 27 de abril, o Ceará voltou a registrar chuvas em diversas regiões, mantendo o padrão que tem marcado a quadra chuvosa de 2026: precipitações irregulares e concentradas em pontos específicos.

No recorte mais recente, entre as 7h de domingo (26) e as 7h desta segunda-feira (27), choveu em pelo menos 90 municípios cearenses, conforme dados parciais da Funceme. Os maiores acumulados se concentraram nas macrorregiões da Ibiapaba e do Litoral de Fortaleza, áreas que estavam sob aviso meteorológico para risco de chuvas intensas.

A maior precipitação do período foi registrada em Fortaleza, no posto Água Fria, com 110 milímetros. Em seguida aparecem Ibiapina, com 107,5 mm, e Viçosa do Ceará, com 102 mm. Também houve volumes expressivos em Fortaleza (posto Caça e Pesca), com 102 mm; Tianguá, com 90,2 mm; Cascavel, com 65,4 mm; Baturité, com 61,4 mm; Ubajara, com 55 mm; Aquiraz, com 54,8 mm; e Pindoretama, com 50 mm.

Em Tianguá, inclusive, esse período concentrou as duas maiores chuvas do ano no município, reforçando a intensidade das precipitações na região. De forma geral, esse padrão de maior volume no centro-norte do estado está em linha com as condições mais esperadas para o período.

Considerando todo o intervalo analisado, a Funceme também aponta registros em 133 postos distribuídos por 88 municípios, o que indica presença significativa de chuva, mas sem uma distribuição homogênea pelo estado. Os volumes mais elevados seguem concentrados em áreas específicas, principalmente na Ibiapaba e no Litoral, enquanto outras regiões continuam com baixos índices ou ausência de precipitação relevante.

Esse desequilíbrio ajuda a explicar o cenário atual. Mesmo com episódios de chuva forte, o monitor de secas ainda aponta a permanência de seca extrema em parte do estado, especialmente na faixa leste.

Outro fator que chama atenção é a intensidade das chuvas em curto intervalo de tempo, o que tem provocado impactos imediatos. Um exemplo foi registrado na manhã desta segunda-feira, em Aquiraz, onde uma cratera se abriu no trecho que liga o Porto das Dunas à Maestro Lisboa após fortes precipitações. O caso deixou três vítimas, sendo uma fatal, além de causar alagamentos, transtornos no trânsito e prejuízos materiais.

O episódio reforça o alerta de que o problema não está apenas no volume de chuva, mas na forma como ela ocorre. Precipitações intensas e concentradas tendem a gerar mais danos imediatos e têm menor eficiência na recarga hídrica de forma ampla.

Diante desse cenário, o balanço do período mostra que, embora haja registro de chuvas em várias regiões, a irregularidade na distribuição ainda é o principal desafio.