PUBLICIDADE

Desigualdade salarial persiste mesmo com alta na contratação de mulheres

O Ceará contabilizava, em dezembro de 2025, 596,6 mil vínculos formais em empresas com 100 ou mais empregados, distribuídos em 1.535 estabelecimentos. Desse total, 234,8 mil postos eram ocupados por mulheres, sendo 75,5% por mulheres negras e 361,8 mil por homens. Os dados constam no Relatório de Transparência Salarial, divulgado pelos ministérios do Trabalho e das Mulheres.

O levantamento aponta crescimento do emprego feminino no país, especialmente entre mulheres negras. Entre 2023 e 2025, o número de mulheres pretas e pardas em grandes empresas aumentou 29%, ultrapassando 4,2 milhões de trabalhadoras formais. Apesar do avanço, a desigualdade salarial persiste.

No Ceará, mulheres receberam, em média, R$ 2.957,48, enquanto homens ganharam R$ 3.267,48. A diferença é mais acentuada no recorte racial: mulheres negras tiveram rendimento médio de R$ 2.746,24, frente a R$ 3.618,14 entre mulheres não negras.

Desigualdade salarial persiste mesmo com alta na contratação de mulheres
Foto: Getty Images

No Brasil, as mulheres ganharam, em média, 21,3% a menos que os homens em 2025, índice superior ao registrado em 2023. A desigualdade também aparece na admissão, com salários iniciais femininos 14,3% inferiores.

O estudo destaca que, embora o emprego formal tenha crescido, ainda há necessidade de avançar na equiparação salarial e na ampliação de políticas de incentivo. No Ceará, 25,1% das empresas adotam medidas de contratação de mulheres, incluindo ações voltadas a mulheres negras, com deficiência, LGBTQIAP+ e vítimas de violência.

“Quando nós defendemos a igualdade salarial, não estamos defendendo puramente aquele número nominal de valor do salário das mulheres e homens numa empresa. Nós estamos falando da função que essa mulher está, das condições de trabalho em que ela se encontra, dos direitos que ela já tem garantidos e que muitas vezes não são cumpridos”, afirmou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

Acompanhe mais notícias da Rede ANC através do Instagram, Spotify ou da Rádio ANC.