
A dificuldade para contratar profissionais qualificados continua sendo um desafio para as empresas brasileiras.
Pesquisa do ManpowerGroup mostra que oito em cada dez empregadores no país afirmam não conseguir encontrar os trabalhadores de que precisam.
O índice de escassez de talentos chegou a 80% em 2026. Apesar de uma pequena queda em relação ao ano anterior, quando o percentual foi de 81%, o número segue entre os mais altos da série histórica e acima da média global, que é de 72%.
O problema é ainda maior nas empresas de grande porte. Entre as companhias com mais de mil funcionários, nove em cada dez empregadores relatam dificuldades para preencher vagas.
São Paulo lidera o ranking nacional de escassez de mão de obra, com 88% das empresas relatando dificuldades de contratação. Em seguida aparecem Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná.
Entre os setores mais afetados estão os serviços profissionais, científicos e técnicos, além das áreas de tecnologia da informação, comércio, logística, hotelaria, indústria e construção civil.
Mesmo sendo um dos segmentos que mais geram empregos no país, a construção civil enfrenta um apagão de mão de obra. Especialistas apontam que muitos jovens têm deixado de buscar oportunidades no setor, atraídos por áreas consideradas mais modernas, como tecnologia, varejo e serviços por aplicativos.
A pesquisa também revela que as competências mais difíceis de encontrar estão ligadas à inteligência artificial, tecnologia da informação, análise de dados, atendimento ao cliente e vendas.
Já entre as habilidades mais valorizadas pelos empregadores estão ética profissional, capacidade de comunicação, trabalho em equipe, adaptabilidade, pensamento crítico e domínio de ferramentas digitais.
Para enfrentar a falta de profissionais qualificados, as empresas têm apostado principalmente na capacitação dos próprios funcionários. Quase metade dos empregadores brasileiros afirma investir em programas de treinamento e requalificação da equipe.
Outras estratégias incluem ampliar a busca por talentos, oferecer maior flexibilidade de horários e trabalho remoto e tornar os salários mais competitivos.
O levantamento reforça uma tendência observada nos últimos anos: a qualificação profissional deixou de ser apenas uma demanda dos trabalhadores e passou a ser uma necessidade estratégica para o crescimento das empresas.

