Uma força-tarefa ambiental se reuniu de forma emergencial, nesta segunda-feira (13/07), para debater as causas da mortandade de peixes e crustáceos registrada no Açude do Cedro. O encontro contou com a presença de técnicos da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (SEMA), da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (COGERH), do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) e da Autarquia Municipal de Meio Ambiente (AMMA), além de outras entidades envolvidas na gestão que uniram esforços para diagnosticar o colapso do ecossistema local.

A escassez prolongada de chuvas na região é apontada como o pano de fundo da crise. Segundo Mario Barros, representante de monitoramento da COGERH, o manancial enfrenta um longo histórico de esvaziamento. Dados do órgão revelam que, desde o início do monitoramento contínuo em 2018, o açude não recebe aportes significativos de água.
A última recarga expressiva ocorreu há mais de uma década, em 2010, e mesmo assim sem atingir metade da capacidade total do reservatório. Esse isolamento hídrico severo resultou na causa primária do desastre atual: a ausência de oxigênio na água.
O fenômeno, embora alarmante, não é isolado em território cearense. De acordo com o professor Ismael Carloto, do Instituto Federal do Ceará (IFCE) – Campus Quixadá, a combinação de baixos volumes de água com a intensa radiação solar característica da região cria um ambiente propício para esse tipo de colapso biológico. Como resposta a essa vulnerabilidade, o pesquisador revelou que uma nova tecnologia baseada em dados está sendo desenvolvida pela instituição de ensino com o objetivo de prever e emitir alertas antecipados sobre episódios semelhantes, mitigando futuros impactos ambientais.

Uma nova reunião já foi agendada para o próximo dia 24 de julho, data em que serão apresentados os resultados oficiais das análises laboratoriais coletadas nas águas do Açude do Cedro. Até lá, as autoridades mantêm o monitoramento da área e discutem medidas mitigadoras para conter os danos ao ecossistema e à comunidade que depende do entorno do manancial.
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