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Fim da escala 6×1 gera divergência sobre efeitos na economia brasileira

Em debate no Congresso Nacional, a proposta de redução da jornada de trabalho no Brasil, com possível fim da escala 6×1, tem gerado avaliações divergentes sobre seus impactos na economia. Levantamentos de entidades empresariais indicam efeitos negativos.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta queda de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 76 bilhões, além de perda de competitividade. Já a Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima aumento de 21% nos custos da folha salarial, com a possibilidade do repasse dos preços ao consumidor chegar a 13%.

“Nossa indústria vai perder participação no mercado doméstico e internacional, a partir da redução nas exportações e da alta nas importações”, destaca o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Fim da escala 6x1 gera divergência sobre efeitos na economia brasileira
Foto: Reprodução

Por outro lado, estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apontam impactos mais limitados. Segundo o Ipea, o custo do trabalho subiria, em média, 7,8%, com efeito total entre 1% e 6,6% nos gastos das empresas, dependendo do setor.

Na avaliação dos pesquisadores, a maior parte dos segmentos econômicos teria capacidade de absorver esses custos. A exceção seriam pequenos negócios, que podem precisar de apoio público para se adaptar à nova jornada.

Sobre a inflação, o setor produtivo prevê aumento de preços devido ao encarecimento da mão de obra. Em contrapartida, o Ipea sustenta que o impacto seria reduzido e poderia ser parcialmente absorvido pelas empresas, sem repasse integral ao consumidor.

“Tem aumento de custo porque o valor do salário-hora aumentou, então vai ter aumento de custo. Todos os produtos vão ter aumento. Isso é um efeito que vai se acumulando porque cada setor tem o mesmo problema”, explica o economista da CNI Marcelo Azevedo.

Fim da escala 6x1 gera divergência sobre efeitos na economia brasileira
Foto: Reprodução

As diferenças entre os estudos, segundo especialistas, estão ligadas às premissas adotadas. Enquanto parte das análises considera que a redução das horas trabalhadas diminui a produção, outras apontam que a medida pode estimular contratações e até ampliar o consumo.

No campo da produtividade, a CNI vê pouca margem para compensação das horas reduzidas. Já pesquisadores argumentam que jornadas menores podem melhorar o desempenho dos trabalhadores, além de gerar efeitos positivos indiretos na economia.

Experiências anteriores também são citadas no debate. A redução da jornada na Constituição de 1988, de 48 para 44 horas semanais, não resultou em aumento do desemprego, segundo estudos posteriores, embora representantes da indústria ressaltem que o cenário econômico atual é diferente.

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