Com a difícil missão de ser tão bom quanto seu antecessor, Homem-Aranha Através Do Aranhaverso chega aos cinemas sendo mais ousado visualmente e mostrando que esses personagens podem entregar mais do que imaginamos.
Mais uma vez dirigido pelo trio Peter Ramsey, Bob Persichetti e Rodney Rothman, a sequência prova que o aranhaverso é maior que imaginamos. Com um prólogo, talvez longo até demais, mostra que cada personagem dessa franquia tem um grande potencial a ser explorado, seja em seu background ou em um estilo de animação próprio.
Aliás, a animação é um show a parte por aqui. Cada universo e cada Homem-Aranha é uma beleza única, onde entregam estilos diferentes em sintonia e sem ser poluído visualmente.
Além disso, as novas variantes do herói chegaram para conquistar o coração de quem assiste. Algumas estão no meio da narrativa apenas para explicar o plot ou para fazer outros personagens prosseguirem na história, fazendo que a profundidade deles seja construída de maneira meio corrida. Porém, mesmo com o pouco mostrado, eles se tornam coadjuvantes marcantes e interessantes.
Já o núcleo principal, formado por Miles, Peter B. Parker, Gwen e Miguel O’Hara, utiliza uma tradição das histórias do Homem-Aranha, que é a morte de um ente querido, para construir uma narrativa intrigante. Com isso entendemos o ponto defendido pelo Homem-Aranha 2099, mas também compreendemos o lado do Miles, que quer fazer que sua seja diferente dos demais heróis.
Miles Morales também é um espetáculo por aqui, além de ser um personagem extremamente carismático, entrega uma jornada de amadurecimento e descobrimento em meio a outras pessoas que querem conter todo o seu potencial. O mesmo faz um ótimo contraponto com o vilão desta história, o Mancha, onde também é visto com menosprezo, mas que, na verdade, tem um potencial não imaginado e pouco apreciado.
Referências e fan-services é o que não falta, mas todos usados da maneira correta, onde não se estendem demais e não tomam conta da narrativa. Além do mais, a direção do projeto soube usa-los tão bem, fazendo com que os rápidos reencontros e os vislumbres de um futuro próximo fossem muito prazerosos.
Um lado negativo que senti foi que certos momentos foram esticados demais, podendo serem mais curtos e impactando ma duração filme. Não é a toa que há vários momentos que você imagina que o filme irá terminar, mas ainda há mais ser mostrado.
Alguns podem ficar frustados com o final, visto que deixa tudo em aberto. Contudo, estamos falando de uma história que é dividida em dois filmes, e a finalização da sua primeira parte escancara que a metade final promete mais que os dois filmes anteriores.
Por fim, Homem-Aranha Através Do Aranhaverso é mais uma experiência indispensável para quem ama as histórias do Amigão Da Vizinhança, seja por ser divertida ou focar em conceitos que representam esse personagem ao ponto de todos o amarem e se identificarem com o mesmo. Além disso, finca ainda mais a influência que a Sony Animation tem no mercado dos filmes animados e como a franquia é a principal referência no meio.
Nota: 9,5/10


