O Instituto Dr. José Frota (IJF), em Fortaleza, realizou no último sábado (23/05) um procedimento inédito no Ceará com uso de polilaminina em um paciente de 20 anos diagnosticado com paraplegia após sofrer um trauma raquimedular provocado por perfuração por arma de fogo na região da vértebra T8. A intervenção marca a primeira aplicação da técnica em uma unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado.
A cirurgia teve duração aproximada de uma hora e mobilizou uma equipe multiprofissional formada por neurocirurgiões, anestesista, enfermeiros, técnico de enfermagem, técnico em radiologia e médicos residentes. Ainda em fase de estudos clínicos, a polilaminina é uma substância desenvolvida para auxiliar na recuperação de pacientes com lesões na medula espinhal.

O objetivo do tratamento é estimular a formação de novas conexões nervosas na área lesionada, contribuindo para a recuperação parcial dos movimentos. O uso do medicamento em situações especiais foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), conforme as regras de uso compassivo previstas na RDC nº 38/2013.
A substância é produzida pelo Laboratório Cristália em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No IJF, o procedimento foi coordenado pelo neurocirurgião Lucas Chaves, com acompanhamento de um médico do laboratório responsável pelo medicamento e de um pesquisador ligado ao estudo clínico, que vieram a Fortaleza para acompanhar a aplicação.
“Esse procedimento tem grande relevância para a história do IJF e reforça o compromisso da instituição em oferecer o melhor atendimento e tratamento aos pacientes. Atualmente, o tratamento é indicado para pacientes com lesão medular completa, classificados como ASIA A, que é a categoria usada internacionalmente para os casos mais graves de lesão na medula”, destacou.

De acordo com o neurocirurgião, a técnica é realizada com auxílio de raio-x e consiste na infusão intramedular da proteína laminina. Durante a cirurgia, são aplicados 0,5 ml da medicação acima e abaixo do ponto da lesão. A previsão é de que o paciente receba alta no mesmo dia ou em até 24 horas após o procedimento.
Após a alta hospitalar, o paciente continuará em acompanhamento com as equipes de Neurocirurgia e Cirurgia da Coluna do IJF, além de seguir tratamento fisioterápico. O médico também explicou que a inclusão de pacientes no protocolo de pesquisa segue critérios rigorosos definidos pelo laboratório responsável pela substância. Entre os fatores avaliados estão tempo da lesão, faixa etária, presença de comorbidades e demais condições clínicas específicas.
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