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Justiça manda realocar idosos e fechar abrigo irregular em Iguatu

A Justiça determinou a interdição de um abrigo irregular para idosos em Iguatu, conhecido como “Lar de Idosos”, após ação ajuizada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE). A decisão obriga a Prefeitura a providenciar, no prazo de 10 dias, a transferência dos cinco residentes para uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) ou serviço equivalente devidamente licenciado, localizado em Iguatu ou em cidades vizinhas.

Conforme a determinação judicial, o município deverá arcar integralmente com os custos de transporte, acolhimento, alimentação, assistência, cuidados e medicação dos idosos. A medida foi concedida no âmbito de uma Ação Civil Pública proposta pela 2ª Promotoria de Justiça de Iguatu, com base em laudos técnicos e relatórios de inspeção que apontaram graves irregularidades no funcionamento da instituição.

As apurações tiveram início em 2024, quando o MP instaurou o Procedimento Administrativo nº 09.2024.00037846-0 para acompanhar a situação do estabelecimento, que não possui constituição legal. Durante fiscalização realizada pela Vigilância Sanitária Municipal e pelo Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa, foram identificadas diversas irregularidades, entre elas a ausência de alvará de funcionamento, de responsável técnico e de equipe de cuidadores habilitados, em desacordo com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Justiça manda realocar idosos e fechar abrigo irregular em Iguatu
Foto: AdobeStock

Os relatórios também registraram condições precárias de higiene, escassez de alimentos, existência de uma piscina sem proteção adequada, com risco de afogamento, retenção de cartões previdenciários dos residentes e fornecimento de alimentos e medicamentos vencidos. Apesar das constatações, a interdição não foi realizada à época devido à inexistência de alternativa imediata para acolher os idosos no município.

Diante da permanência das irregularidades, uma nova fiscalização realizada em fevereiro de 2026 confirmou a continuidade do cenário de insalubridade, risco de acidentes e privação alimentar. Com isso, o Ministério Público recorreu ao Judiciário para garantir a remoção dos residentes e o encerramento das atividades da instituição.

Na decisão, proferida em 3 de junho deste ano, a Justiça determinou que a Prefeitura apresente um plano de realocação contendo a indicação das vagas disponíveis, das instituições de destino e a comprovação da transferência dos idosos. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 2 mil por idoso não realocado, limitada a R$ 80 mil.

O Juízo também proibiu o recebimento de novos residentes pelo estabelecimento, sob pena de multa diária de R$ 5 mil, limitada a R$ 50 mil. Após a transferência segura de todos os idosos acolhidos, o “Lar de Idosos” deverá ser interditado definitivamente.

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