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Nota técnica recomenda desfibriladores em academias após mortes súbitas

Entidades das áreas da saúde, do esporte e do direito recomendaram, nesta terça-feira (12), a obrigatoriedade da instalação de desfibriladores em academias, boxes de crossfit, estúdios de pilates e estabelecimentos similares em Fortaleza, independentemente do número de alunos matriculados. A medida foi apresentada em nota técnica divulgada no auditório da Associação Médica Cearense, no bairro Aldeota, na Capital.

O documento foi elaborado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia do Ceará (SBC/CE), Conselho Regional de Educação Física da 5ª Região (CREF5/CE), Associação Médica Cearense (AMC) e pela Comissão de Saúde e Direito Médico da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Ceará (OAB-CE).

Foto: Internet / Reprodução

A recomendação ocorre após o aumento de casos de mortes súbitas registrados em academias e espaços esportivos da Região Metropolitana de Fortaleza nos últimos dois anos. Segundo as entidades, entre julho de 2025 e maio deste ano, ao menos seis mortes foram noticiadas pela imprensa.

O caso mais recente ocorreu em abril de 2026, quando um professor de hidroginástica de 31 anos morreu durante a prática de exercícios físicos em uma academia no bairro Parreão, em Fortaleza.

Atualmente, a legislação municipal exige o uso do Desfibrilador Externo Automático (DEA) apenas em locais com circulação diária superior a 2 mil pessoas. As entidades, no entanto, defendem a ampliação da norma para todos os estabelecimentos do setor, independentemente do fluxo de frequentadores.

O equipamento, utilizado em atendimentos de emergência em casos de parada cardíaca, custa em média R$ 10 mil. Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e João Pessoa, a presença do aparelho já é obrigatória nesses espaços.

Na nota técnica, as entidades classificam o cenário como uma emergência de saúde pública e cobram respostas imediatas do poder público, dos órgãos de fiscalização e dos estabelecimentos esportivos.

Medidas propostas

Além da instalação dos desfibriladores, o documento recomenda que os aparelhos estejam sinalizados com placas de identificação e iluminação adequada, garantindo fácil localização em situações de emergência. Também é sugerida manutenção preventiva semestral, com registro documentado das inspeções realizadas.

Outro ponto defendido pelas entidades é a capacitação obrigatória de profissionais que atuam nas academias, incluindo instrutores, professores de educação física, recepcionistas, seguranças e demais funcionários. O treinamento deve abordar reconhecimento de parada cardiorrespiratória, acionamento dos serviços de emergência, técnicas de reanimação cardiopulmonar e operação do desfibrilador.

Segundo a proposta, os treinamentos devem ser atualizados a cada seis meses, com certificação mantida nos arquivos dos estabelecimentos. A recomendação prevê ainda que todos os profissionais de cada turno estejam com a capacitação em dia.

Durante o encontro, representantes das entidades também se colocaram à disposição para colaborar com a elaboração de protocolos, capacitação de profissionais e formulação de projetos de lei voltados à segurança dos frequentadores de academias no Ceará.

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